Categoria: Bip na Mídia

Pix é só o começo: saiba quais mudanças irão acontecer a partir do open banking

O Globo – 25 de outubro de 2020 Objetivo da transformação é combater a burocratização e os altos custos, fomentando a competitividade entre as instituições Letycia Cardoso e Patrícia Valle RIO —  Você paga juros caros pelo financiamento da casa própria? Arca todo mês com tarifas altas do cartão de crédito? Está insatisfeito com o serviço do seu banco, mas não tem paciência de pedir a portabilidade? Tudo isso pode mudar com a implementação do Open Banking. O Banco Central (BC) está dando a largada para uma transformação que pretende mudar o sistema financeiro, tirando o poder dos bancos e colocando na mão dos clientes. O objetivo é combater a burocratização e os altos custos, fomentando a competitividade entre as instituições. Para tirar melhor proveito, o consumidor deve entender o que irá acontecer. O primeiro passo para toda a mudança é o Pix, novo sistema de pagamentos que começa a funcionar em 16 de novembro. Por meio dele, pessoas físicas poderão fazer transferências para contas de outros bancos, de forma gratuita e praticamente instantânea, 24 horas por dia e sete dias por semana. Já no dia 30 do mesmo mês, será implementada a primeira das quatro fases do Open Banking. Luiz Fabbrine, líder de finanças da consultoria Bip, explica que, primeiro, será feito o compartilhamento de dados das próprias instituições; depois, dos dados cadastrais dos clientes, mediante autorização; e por fim, de posse desse histórico, as instituições vão poder conceder melhores ofertas. — Será parecido com um marketplace, mas com produtos financeiros alinhados a cada perfil. Hoje, 90% das operações de crédito são feitas pelos cinco principais bancos. O novo cenário vai possibilitar que bancos pequenos e fintechs tenham maior competitividade — explica. Segundo o BC, o consumidor ganhará autonomia na gestão de seus recursos e a oferta dos serviços será mais ágil segura e totalmente digital. Para Raul Moreira, diretor executivo de Open Banking do Banco Original, a novidade fará do Brasil um dos países mais modernos do mundo, com sistema financeiro à frente até dos Estados Unidos: — O Pix é a ponta do iceberg. Com o Open Banking o consumidor só terá conta num grande banco se estiver satisfeito. Porque tudo será compartilhado e ele poderá fazer tudo em um banco digital ou uma fintech. Acredito que no primeiro semestre de 2021 devemos ter um novo mercado.   Controle unificado Quem tem conta em mais de um banco não vai mais precisar ter tantos aplicativos instalados no celular. Dentre as novidades, está a possibilidade das instituições se transformarem em agregadores. Isto é, se um cliente tem mais afinidade com a plataforma de um banco, poderá escolher movimentar a partir dela o dinheiro depositado em outros bancos ou corretoras. — Quem oferta esse serviço passa a ter acesso a mais dados do cliente, conseguindo customizar as ofertas para as necessidades dele. Em um banco europeu, por exemplo, se o cliente compra uma passagem internacional, mesmo que com o cartão de crédito de outra instituição, o agregador pode oferecer serviços adicionais, como um seguro viagem — conta Fabbrine.   SAIBA O QUE É PIX E COMO VAI FUNCIONAR O NOVO SISTEMA DE PAGAMENTO EM 10 PONTOS   Até mesmo empresas de outros ramos, como varejo, telecomunicações, energia e consumo vão poder assumir esse papel. O aplicativo de organização de finanças Guia Bolso, por exemplo, que já concentra informações de vários bancos, poderá ser usado para fazer as próprias movimentações: sejam pagamentos, transferências, ou até empréstimos. — O cliente ganha uma plataforma para integrar seus dados e gerenciar melhor seus gastos, além do acesso a produtos selecionados de acordo com o seu perfil, e o Guiabolso ganha por ter maior visibilidade sobre sua vida financeira — diz Thiago Alvarez, CEO do Guiabolso. Maxnaun Gutierrez, chefe da área de produtos de pessoa física do C6 Bank, acredita que a medida irá possibilitar maior autonomia para controlar suas finanças. — Hoje, os bancos conseguem saber histórico de crédito ao acessarem Banco Central, mas as instituições financeiras de pagamentos, como o app de pagamento de combustíveisAbastece aí, não conseguem ter esse histórico. Com esse novo sistema, elas também terão acesso. Então, é natural que as empresas queiram prestar esse serviço ao consumidor — opina Gutierrez. — Por meio de parcerias, qualquer empresa poderá virar um meio de pagamento. A Tim, por exemplo, através da C6, poderá aceitar pagamentos. Com a maior competição, a redução de tarifas já deve aparecer a partir de maio de 2021.   População fora dos bancos A população não bancarizada, ou sub-bancarizada, é a que terá o maior impacto com o Pix e com o Open Banking. Thiago Alvarez, fundador do Guiabolso, diz que quem já está no sistema terá uma redução de tarifas, mas quem quase não usa vai ter incentivo a usar os serviços e produtos financeiros. — Essa revolução está acontecendo em um momento em que mais de 24 milhões de pessoas entraram para o sistema financeiro com o auxílio emergencial. Em dez anos, o sistema financeiro será diferente do que temos hoje — avalia. Para advogado João Fernando Nascimento, do CSMV Advogados, os varejistas poderão estreitar ainda mais laços com esses consumidores: — A classe mais baixa, não tem acesso a serviços financeiros, mas tem crediário para financiar o eletrodoméstico. Quem presta esse serviço é o varejista. Ele entende esse público e, por isso, vai fortalecer ainda mais essa relação, oferecendo outros produtos de crédito que ele necessitar. Maxnaun Gutierrez, do C6 Bank, acrescenta que, com a abertura da informação que estava disponível apenas para os birôs, será possível baixar o custo do crédito para as pessoas de baixa renda em outras instituições.   Crédito competitivo O empréstimo no Brasil é muito caro. Grande parte do problema é que é difícil avaliar o risco de crédito corretamente. O banco tem a vantagem de ter todas as informações sobre o cliente e poder analisar. No entanto, já que os demais concorrentes não têm a mesma informação, eles podem cobrar alto. Com o Open Banking, o consumidor poderá

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A armadilha do longo prazo na sustentabilidade

Matéria Valor Investe – 22 de setembro de 2020 É preciso mostrar que questões ambientais, sociais e de governança agregam valor também no curto prazo Uma das principais verdades em sustentabilidade é também uma das maiores armadilhas para fazer com que ela avance de forma pragmática. Estou falando do entendimento de que as questões ambientais, sociais e de governança agregam valor no longo prazo. Não por acaso, os investidores institucionais são atores que lideram esta agenda, responsáveis pela criação de iniciativas como o CDP (antigo Carbon Disclosure Project) e o PRI – Principles for Responsible Investment. Afinal, os fundos de pensão têm responsabilidade fiduciária pelos recursos que gerem, e precisam que eles estejam saudáveis e disponíveis décadas adiante, a fim de pagarem a aposentadoria de seus participantes. Da mesma forma, introduzir a lógica socioambiental em sistemas, políticas e procedimentos não se faz da noite para o dia. Requer visão, planejamento, investimento. E, portanto, tempo. Concluo, então, que concordamos quando definimos sustentabilidade como geradora de valor no longo prazo para as companhias que a adotam. Por outro lado, quando a vinculamos apenas ao longo prazo, não é comum surgir o pensamento: “Depois eu olho para isso. Vou tocar o ‘business as usual’ hoje e amanhã analiso essas questões”. Esta é a armadilha. É importante, portanto, incluirmos no nosso discurso com as lideranças a perspectiva de que sustentabilidade traz valor, sim, também no curto prazo. Ora, os impactos são observados hoje, seja em termos de riscos ou oportunidades. Alguém tem dúvida disso? Que o digam uma pandemia imprevisível que colocou o mundo em lockdown, os desastres ambientais e as crises sociais que do dia para noite derrubam os papeis das companhias listadas em bolsa e arrasam sua reputação corporativa. Por tudo isso, uma das pesquisas que mais me impressionaram e uso em minhas apresentações e diálogos é a “The ESG premium: New perspectives on value and performance”, realizada pela McKinsey&Company de 16 a 31/7 de 2019 e divulgada em fevereiro deste ano. Foram consultados 439 executivos C-level e 119 da comunidade de investimentos de várias regiões, indústrias e companhias. O estudo capturou a mudança de percepção desses profissionais em uma década – de 2009 a 2019 – em relação ao valor que as questões ambientais, sociais e de governança agregam aos acionistas no curto e no longo prazo. A percepção de que esses fatores impactam no longo prazo, que já era alta em 2009, se tornou praticamente unânime em 2019. Até aí, nenhuma surpresa. Como já vimos, esse é o esperado quando falamos de sustentabilidade — se bem que sempre devemos celebrar quando não há retrocessos. A boa notícia que a pesquisa nos traz, no entanto, é que a percepção dos entrevistados sobre a criação de valor da sustentabilidade no curto prazo aumentou muito: Dois terços afirmaram que os programas sociais agregam valor no curto prazo, contra 41% há dez anos. Sete em cada dez disseram que os programas de governança têm um efeito positivo no curto prazo, em comparação a 67% anteriormente. Já os programas ambientais são o que apresentaram a mais baixa percepção de ganhos no curto prazo, em relação aos aspectos sociais e de governança. Por outro lado, tiveram um avanço importante em dez anos, passando de cerca de 30% para quase 60% dos respondentes entendendo que esta agenda tem impacto positivo já. A pesquisa investigou, ainda, como mudou em uma década a percepção de que programas ambientais, sociais e de governança contribuem para a performance financeira da companhia. “Manter uma boa reputação corporativa” e “Atrair e reter talentos” continuam como os itens ESG que mais contribuem para o desempenho financeiro na visão dos entrevistados. Entre as iniciativas que tiveram aumento de percepção sobre seu impacto financeiro estão: “Atender às expectativas da sociedade quanto ao bom comportamento corporativo”, “Aumentar o acesso a capital”, “Fortalecer a posição competitiva da organização” e “Melhorar a gestão de riscos”. Estamos evoluindo, que bom. Mas mudar o padrão econômico, de consumo, produção e comportamento não é algo simples, nem tão rápido como gostaríamos. Costumo dizer que “não dormimos e acordamos sustentáveis”. Por isso, ainda vemos e veremos decisões puramente financeiras sendo vantajosas. Como disse Flavio Menezes, especialista da Consultoria Bip, em uma matéria: “Empresas que não necessariamente aderem aos conceitos ESG, mas são boas pagadoras de dividendos e possuem liquidez no mercado, vão continuar a fazer parte das carteiras dos fundos nos próximos cinco anos. A partir daí, empresas de fato atrativas para os fundos terão que apresentar critérios de sustentabilidade”. Concordo com a tese, infelizmente. Mas tenho dúvidas sobre o tempo. A urgência que a pandemia trouxe a estes temas tende a acelerar a cobrança sobre as empresas em relação às suas práticas EESG. Ainda nesta análise temporal, trago também uma fala interessante do presidente do Itaú Unibanco, Cândido Bracher: “Ser socioambientalmente ineficiente também é ineficiente economicamente. Você pode ganhar dinheiro no curtíssimo prazo, mas é péssimo para a sustentabilidade dos negócios”. Entender que a sustentabilidade impacta no curto prazo, por mais paradoxal que possa parecer, é um pensamento de longo prazo. É o que comprova uma pesquisa conduzida por Russell Reynolds, em parceria com Focusing Capital em abril deste ano e denominada “Tone at the Top: The Board’s Impact on Long-term Value”. Entre os achados, está que os diretores que se concentravam principalmente no longo prazo (20% dos consultados) não eram apenas melhor informados sobre estes tópicos, em comparação aos que estavam focados no curto prazo. Eles eram, na verdade, também melhor informados sobre questões de curto prazo (por exemplo, riscos operacionais imediatos, atuais produtos e serviços, atividades de vendas etc.). Sou fã da ONU, e por isso encerro esse artigo com a definição de Desenvolvimento Sustentável que consta do icônico Relatório Brundtland Nosso Futuro Comum, de 1987. Notem que ela trata, sim, das próximas gerações, mas a partir da perspectiva da geração atual que afinal, é a que tem grande responsabilidade pelo futuro: “Desenvolvimento Sustentável é aquele que satisfaz as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades.”

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Empresas gastarão até 20% do orçamento de tecnologia em 2020 com LGPD

Estadão – 29 de setembro de 2020 15 a 20% do orçamento destinado à tecnologia nas empresas em 2020 serão usados para atender a exigências da LGPD As adaptações e os investimentos necessários para atender as novas exigências da Lei de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) deverão consumir entre 15% e 20% do orçamento destinado à tecnologia das empresas neste ano. O cálculo foi feito pela consultoria Bip, que atua em transformação digital. Link da matéria: https://economia.estadao.com.br/blogs/coluna-do-broad/empresas-gastarao-ate-20-do-orcamento-de-tecnologia-em-2020-com-lgpd/

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Instituições financeiras se ajustam para operar como ‘banco aberto”

Mercado Financeiro – 24 de setembro de 2020 Banco Central prevê que até outubro de 2021 integração esteja completa. A primeira fase do open banking começa a entrar em vigor no Brasil em 30 de novembro deste ano, prevê o Banco Central. O open banking é o compartilhamento de dados e serviços bancários, com autorização dos clientes, entre instituições financeiras por meio da integração de plataformas e infraestruturas de tecnologia. Os pequenos e médios bancos estão se preparando tecnologicamente para participar da integração. De acordo com o BC, o open banking será implementado em quatro fases com término previsto em outubro de 2021. A Associação Brasileira de Bancos (ABBC), a principal associação que defende os interesses dos bancos de médio e pequeno porte do país, contratou a consultoria Bip Brasil para gerar soluções para as adaptações tecnológicas necessárias demandadas pelo novo sistema. A consultoria está trazendo para a ABBC experiências de atuação em mercados da Europa: plataformas compartilhadas e sistemas padronizados são algumas das estratégias que estão sendo avaliadas para aproveitar as novas possibilidades de negócios que vão surgir no mercado. “O compartilhamento do histórico de relacionamento de clientes com a instituição bancária e de seus dados em um único aplicativo vai gerar uma competitividade antes inexistente no país. Sabemos que este é um mercado altamente concentrado. Os bancos médios e pequenos têm à frente um ótimo momento”, diz Luiz Fabbrine, líder da área de finanças da Bip Brasil, que considera as inovações em curso no setor financeiro “revolucionárias”. Fabbrine explicou à reportagem do Monitor Mercantil como se dá o processo de consultoria em Open Banking. Que exemplos mais próximos à nossa realidade estão sendo considerados pela Consultoria Bip no projeto da ABBC? – A Bip traz para a ABBC uma experiência internacional de open banking. Em vários países da Europa, onde atuamos, este processo se iniciou mais cedo, a partir de 2018. O modelo europeu experimentado é a base para o as soluções que estão sendo implementadas no Brasil. Em que consiste essa consultoria? – Somos um suporte técnico. Atuamos ainda na organização dos grupos de trabalhos da ABBC para gerar definições dos aspectos tecnológicos e de segurança necessários para implantar o open banking. Estes estudo são levados para a Convenção estabelecida pelo Banco Central, onde são realizadas votações da qual participam outras associações do mercado. Que mudanças os pequenos bancos precisam realizar para estarem aptos a atuar na configuração open banking? – Os pequenos e médios bancos se encontram, atualmente, no estágio de planejar as mudanças de estratégia e na implementação de modelos de negócios tecnológicos. Alguns bancos ainda estão estudando se irão aderir ao open banking. O maior desafio deste segmento é o investimento em novas tecnologias. Desta forma, acreditamos que o compartilhamento de plataformas e de sistemas de segurança são o melhor caminho para que os bancos médios e pequenos possam aproveitar as novas possibilidades de negócios que irão surgir e, ainda, poder competir com as grandes instituições. Quantas empresas financeiras a consultoria está atendendo? – Estamos prestando consultoria para o conjunto das instituições abrigadas sob o guarda-chuva da ABBC. Atualmente 92 instituições financeiras participam dos grupos de trabalho. Acredita que até o final deste ano a maioria dos pequenos bancos brasileiros estará de acordo com as orientações legais do Conselho Monetário Nacional e o Banco Central? – Vejo uma maturidade do sistema open banking acontecer mais adiante, no médio prazo, sobretudo quando comparamos com o que ocorreu em outros países da Europa, como na Itália e na Inglaterra. No Brasil, há uma agenda que evoluirá em 2021. Entendemos que algumas instituições devem aderir somente a partir do próximo ano. Para que o open banking funcione bem, todos os atores devem estar sincronizados e esta organização leva algum tempo. Como avalia a forma de regulamentação do open banking no Brasil? – O modelo brasileiro foi inspirado no modelo europeu. O Banco Central, contudo, foi mais arrojado e incluiu o compartilhamento de dados de crédito, investimentos e previdência. Que outras considerações faz do processo do open banking? – Acredito que as mudanças que estão em curso no mercado financeiro são revolucionárias e vão trazer novas oportunidades de negócios. O open banking já é um caso de sucesso na Europa. No Reino Unido, por exemplo, o sistema abriu a possibilidade de novos entrantes no mercado e novos modelos de negócios para as instituições tradicionais. Quando o processo teve início, havia 104 participantes. Um ano depois, saltou para 204 adesões. Acredito que o cenário internacional aponta um caminho igualmente promissor para o Brasil. Link da matéria na íntegra: https://monitormercantil.com.br/instituicoes-financeiras-se-ajustam-para-operar-como-banco-aberto

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‘O mais difícil foi ouvir: contente-se, com sua cor, tem que agradecer’, diz executivo negro

O Globo – 22 de setembro de 2020 Em depoimento à Karen Garcia RIO – O debate aberto pela decisão do Magazine Luiza de abrir em 2021 um programa de trainees exclusivamente para candidatos negros trouxe à tona a ainda difícil inserção de pretos e pardos no mundo corporativo num país em que eles são maioria. Profissionais negros em posição de liderança, os contadores Silvio Silva, Alessandra Lima e Deives Rezende Filho e a engenheira Cristina Pinho contam as dores e vitórias de quem ainda é exceção. Foi assim Silvio Jorge Silva, 44 anos, diretor comercial da Johnson & Johnson e líder do grupo de afinidade Soul Afro “Não deixei com que o sistema social e econômico brasileiro – que não dá espaço para o negro – me colocasse nas estatísticas de não participação do mercado de trabalho. Comecei a trabalhar muito cedo, minha mãe já era viúva e, com quatro filhos, foi sempre a provedora para toda a família, trabalhando fora de casa. Fui criado em Salvador pela minha avó, que era analfabeta mas de longe a pessoa mais extraordinária que conheci. Queria trabalhar no setor financeiro, mas surgiu um trabalho de repositor de produtos da Johnson & Johnson num supermercado de Salvador. Pagava o suficiente para cobrir a mensalidade da faculdade de Ciências Contábeis. De repositor fui para promotor de vendas, até chegar a vendedor, visitando todo o varejo da Bahia, vendendo de loja em loja. Fui sendo promovido de dois em dois anos, coincidentemente. Passei por vários cargos e também várias regiões, conhecendo o Brasil inteiro. Morei em Teresina, Uberlândia, Rio de Janeiro, Recife, até vir para São Paulo. Desde abril de 2019, estou como diretor comercial. “No início, achava que as dificuldades eram por ser pobre. Só tive consciência do que é ser negro mais para a frente” No meu caminho encontrei um grande líder que acreditou em mim e me ensinou também a acreditar, porque até então tudo era muito distante. Isso me impulsionou e muito do que consegui se deve à minha autoestima e ao meu autoconhecimento. No início, achava que as dificuldades eram por ser pobre. Só tive consciência do que é ser negro mais para a frente. O momento mais difícil em minha carreira foi ouvir que eu deveria me contentar com o que tinha conquistado. “Contente-se. De onde você veio, com sua cor, você tem que agradecer”. O negro e a negra escutam isso a vida inteira. A sociedade acaba não incentivando o que ele tem, e quando demonstra tem, faz questão de coibir. É uma timidez forçada. “A questão do racismo é muito forte. Quanto mais você cria autoestima e conhecimento, essas coisas vão diminuindo, mas não somem” É importante nesse momento que algumas coisas aconteçam de forma um pouco mais extremas para que possamos virar essa engrenagem. Programas como o do Magazine Luiza e outras empresas com foco em negros são sensacionais para mudarmos esse cenário. Não acho que eles vão precisar existir para sempre, mas são um começo para uma equiparação. Para muitas pessoas, os negros bem-sucedidos são aqueles que apresentam dons. São esportistas, músicos. No ambiente corporativo, onde a concorrência é diária, é essencial comunicar esses exemplos de sucesso para criar representatividade para quem está começando a jornada. Uma lembrança positiva muito marcante em minha carreira foi quando uma funcionária recém-contratada me procurou e me agradeceu por ter salvado a vida dela. Fiquei muito surpreso e intrigado. ‘Ouvi uma palestra sua e decidi mudar minha vida. Estava em um contexto de violência e você me fez acreditar que era possível. Isso me ajudou a viver’, ela me disse. Mexeu demais comigo”. Foi assim Alessandra Lima, 43 anos, gerente financeira da consultoria Bip “Venho de uma família de quatro irmãs, meu pai e minha mãe. Aos 14 anos, decidi estudar contabilidade. Fiz um colégio técnico em contabilidade. Minha família sempre foi muito humilde, mas muito batalhadora. No segundo ano, com 16 anos, comecei a fazer estágio na Caixa Econômica. Estudava de manhã, fazia estágio à tarde. Entrei com uma turma de 10 colegas do curso. Sempre trabalhei nas agências mais cheias. Sempre vi esses desafios como algo que me fizesse crescer ainda mais. “Sempre fui daquelas que, se me pediam para fazer uma coisa, eu entregava uma e meia” Na faculdade, comecei a trabalhar em banco. Sempre fui daquelas que, se me pediam para fazer uma coisa, eu entregava uma e meia. Não sei se era ingênua demais, mas nunca senti de fato alguém não me escolhendo pela cor da minha pele. No último ano da faculdade, liguei na central do banco e perguntei se estavam precisando de alguém para a área de contabilidade. E dei a sorte de um gerente ter atendido e ele disse que precisava de ajuda. “Conforme fui amadurecendo entendi a importância das ações afirmativas” Tentava levar o dia a dia de maneira leve. Meus colegas e superiores acabavam vendo uma graça na minha vida. Me destacaram para fazer alguns treinamentos. Quando eu comecei a subir um pouco mais, fui percebendo algumas coisas. Não necessariamente sobre mim, mas ao meio em que eu estava. Conforme fui amadurecendo entendi a importância das ações afirmativas. Se for possível colocar pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades nas melhores faculdades, elas terão um ponto de partida mais igualitário para seguir. Durante um treinamento para liderança de uma área, quando olhava para o lado, eu era uma das poucas mulheres. Negra, quase sempre a única. A situação onde mais senti a discriminação foi em uma equipe de 100 gerentes. Éramos apenas duas mulheres tendo que provar a nossa capacidade técnica por conta do gênero. Não podíamos tampouco sair com o grupo no final do expediente para tomar uma cerveja porque tínhamos que voltar para casa para cuidar dos nossos filhos. “Eu era uma das poucas mulheres e quase sempre a única negra” O meio que a pessoa vive não pode definir onde ela pode chegar. Nem todas as pessoas tiveram as mesmas oportunidades e os líderes que passaram em minha

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Nova crise, velhos problemas

Brasil Energia – 15 de setembro de 2020   O atual panorama energético nos oferece a oportunidade de mudar radicalmente a forma como são utilizados os recursos naturais do planeta Por Paolo Re A pandemia global e, em seu rastro, a pior recessão global da história recente, trouxe a oportunidade de refletirmos sobre diversas mudanças em nossas vidas, no ambiente de trabalho e nos negócios. Neste espaço de tempo, o reduzido nível de atividades econômicas, do uso de transporte público ou privado e a suspensão de quase todas as viagens aéreas teve um impacto altamente positivo sobre o meio ambiente e o clima. Houve, de fato, uma redução de emissões em todo o mundo. Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que a queda esperada na demanda de energia em 2020, de 6%, se deve principalmente à redução na demanda por fontes fósseis (petróleo 9,1%, carvão 7,7%, gás 5%). Em razão do colapso da demanda, os preços destas commodities caíram expressivamente. A questão é que, além do baixo preço do petróleo, a desaceleração econômica poderá desestimular os investimentos em eficiência energética e energia renovável. Olhando pelo retrovisor da história, os investimentos em fontes alternativas sempre ganharam impulso em momentos de alta no preço do petróleo e das fontes fósseis em geral. As crises econômicas, como a crise do petróleo dos anos 70 e a crise financeira global de 2008, foram responsáveis por declínios temporários nas emissões de gases do efeito estufa (GEE). Não houve, contudo, motivo para comemorações duradouras. As emissões retornaram ao patamar anterior, após o reaquecimento da economia, suprimindo quaisquer benefícios climáticos anteriormente obtidos. No atual momento, a redução no consumo de energia mundial vai gerar, no curto prazo, uma diminuição nas emissões GEE. Até o início de abril, as emissões globais de CO2 caíram cerca de 17%, na comparação com os níveis médios de 2019.  A expectativa é de uma queda nas emissões mundiais em torno de 8% ou 2,6 GtCO2 (AIE), resultado superior ao registrado em qualquer outro período da história. Infelizmente, no Brasil, espera-se que as emissões aumentem cerca de 10% desde já, devido, principalmente, ao crescente desmatamento. Podemos mudar. O mundo tenta entender como as economias podem se recuperar de uma crise colossal que, de acordo com a OCDE, aponta para uma queda no PIB global entre 6% e 7%. Uma quantidade exponencial de recursos financeiros está sendo injetada nos sistemas econômicos mundiais para inibir os efeitos mais devastadores na economia.  Os países do G20 anunciaram estímulos fiscais da ordem de 10 trilhões de dólares e a mensagem dos líderes globais é que estão dispostos a continuar nesta linha. Mas o que precisamente é possível fazer com o extraordinário montante de recursos que está sendo injetado na economia? O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente alerta que as emissões globais de GEE precisam cair 7,6% /ano, entre  2020 a 2030, para manter o aumento da temperatura abaixo de 1,5°C. Estamos diante de uma oportunidade única para definir políticas, projetar e implementar mudanças globais que possam ajudar  vida no planeta no longo prazo. Centenas de políticos e lideranças empresariais e ambientais lançaram recentemente a “Aliança Europeia para uma Recuperação Verde” – a primeira iniciativa para o pós- crise, com foco na construção de planos voltados para recuperação econômica e alinhada a princípios ambientais. Desde a sua criação, a citada Aliança obteve a adesão dos principais fabricantes e instituições financeiras da Europa. Ao mesmo tempo, a opinião pública pressiona por mudanças na priorização dos investimentos. Uma pesquisa recente do IPSOS revelou que dois terços dos entrevistados apoiam a “recuperação verde”, sendo o apoio dos Brics superior ao de outros países do mundo (Índia 81%, China; 80% e Brasil 66%, contra uma média mundial de 65%). Claramente, a opinião pública entende que os investimentos ambientais não têm fronteiras e que a vida no planeta importa mais do que a economia. Para boa parte da população, os caminhos para a recuperação da economia precisam, portanto, ser mais inteligentes e “mais verdes”. Não será uma batalha fácil. Mas há políticas que podem proporcionar tanto a recuperação econômica quanto as metas climáticas conjuntamente. Para ganhar este jogo é preciso ampliar  investimentos em infraestrutura física limpa, sob a forma de ativos de energia renovável; no armazenamento (incluindo hidrogênio), na modernização da rede de tecnologia CCS; em  sistemas de armazenamento de energia doméstica; em modelos estruturais de descarbonização;  na regeneração de ecossistemas, incluindo restauração de habitats ricos em carbono e  em agricultura amigável ao clima . Os investimentos também devem ser direcionados para a educação e o treinamento profissional – a fim de melhor enfrentar o desemprego imediato da Covid-19 – e em iniciativas de apoio rural, particularmente àquelas associadas à agricultura sustentável. Também devem ser consideradas as chamadas  políticas de cobenefícios – as quais substituem atividades ricas em carbono, como a eletrificação do transporte público local e o aumento em escala da fabricação de veículos elétricos; expansão das redes de carregamento de veículos elétricos, aceleração do lançamento da iluminação pública LED e desenvolvimento de infraestrutura para  transporte ativo, como pistas para bicicletas. Além de contribuir para a redução das emissões de carbono, estas estratégias têm o potencial de gerar uma demanda por mão de obra especializada. Finalmente, o que parece ser hoje um grande pesadelo pode representar um novo mundo de oportunidades.  Vale lembrar uma frase atribuída a Winston Churchill e que foi repetida por muitos líderes nos últimos meses:  “Nunca desperdice uma boa crise”. Paolo Re é  líder no Brasil da consultoria Bip Link para acessar a matéria na íntegra: https://energiahoje.editorabrasilenergia.com.br/nova-crise-velhos-problemas/

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Black Friday brasileira: 66% dos pequenos lojistas não conhecem a data

Exame – 8 de setembro de 2020 Criada pelo governo federal e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo, a semana promete descontos de até 70% para os brasileiros Por Carolina Ingizza Na quinta-feira passada, dia 3, começou a chamada Black Friday brasileira. Criada pela Secretaria de Comunicação do governo federal (Secom) e pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), a “Semana Brasil 2020” promete descontos de até 70% para os consumidores. Pelo segundo ano consecutivo, a ideia do governo é usar a “Semana Brasil” para impulsionar as vendas do varejo nacional. Grandes varejistas de diversos segmentos, como Magazine Luiza, brMalls e Sephora aderiram à campanha. Os pequenos negócios, por outro lado, sequer conhecem o evento. Pesquisa feita pela Loja Integrada (do grupo VTEX) com quase 600 empreendedores mostrou que 66% dos pequenos varejistas não conhecem a data e só 20% estavam se preparando para a semana de descontos. Os pequenos comerciantes estão mais animados com a Black Friday tradicional, realizada na última sexta-feira de novembro. Cerca de 72% dos entrevistados estão com expectativas positivas pra o evento e 78% acreditam que irão faturar mais que na Semana do Brasil. Outro estudo, feito pela consultoria Bip, mostra que os consumidores estão também mais entusiasmados com a Black Friday de novembro. “Quando comparamos as buscas da “Semana Brasil” com “Black Friday”, o evento que está ocorrendo agora parece insignificante em relação ao que deve acontecer em novembro” afirma o consultor Wagner Pereira. Para as empresas que decidiram participar do evento, a expectativa é que haja um alívio no caixa. Entre os segmentos com maior possibilidade de realizar vendas, Pereira cita os eletroeletrônicos, que tem mantido o fluxo de consumidores mesmo na pandemia. Link para a matéria: https://exame.com/pme/black-friday-brasileira-66-dos-pequenos-lojistas-nao-conhecem-a-data/

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Varejo aposta em descontos de até 75% na Semana do Brasil para retomar vendas

Extra – 5 de setembro de 2020 Por Letycia Cardoso Diversos shoppings do Rio de Janeiro preparam descontos de até 75% para estimular o consumo durante a Semana do Brasil, que acontece no período de 03 a 13 de setembro. O evento, criado em 2019 pelo governo federal, representa esperança para muitos lojistas em ter um alívio no caixa, após meses sem realizar vendas devido à pandemia do corona vírus. Até o mês de junho, o varejo já acumulava 3,1% em perdas, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE. No índice ampliado, a supressão registrada foi ainda pior: -7,4%. Mesmo com a retomada nas vendas, os números de 2020 ainda devem ser negativos: a Confederação Nacional do Comércio (CNC) prevê uma retração de 4,7% do volume de vendas e, para o conceito ampliado, um recuo de 6,9% no ano. Apesar de esperar uma recuperação das vendas morosa, o diretor institucional da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (ALSHOP), Luis Augusto, vê com otimismo a Semana do Brasil. Para ele, os segmentos que podem levar vantagem são os de vestuário e de acessórios: — A expectativa é boa. Há uma demanda reprimida e, agora, o consumidor está perdendo o medo de sair na rua. Então, os preços mais baixos são um convite para visitar lojas. O Shopping Nova Iguaçu está com descontos de até 60%. Na loja Zinzane, por exemplo, o vestido Laura baixou de $ 199,99 para R$ 79,99. A Mr. Cat também oferece abatimentos consideráveis, como sandália Classic metalizada, que foi de R$219,90 para R$109,90. No Shopping Boulevard, as promoções são ainda maiores e chegam a 75% de desconto, com destaque para lojas de roupas infantis Alphabeto e Piticas. Para quem gosta de produtos de beleza, o Botafogo Praia Shopping conta com promoções da Dermage. Os desodorantes e o produto Hidracare têm 20% de desconto. Já no Shopping Nova América, é possível encontrar descontos até mesmo em serviços: na compra de qualquer pacote do Unhas Cariocas, o cliente ganha uma sessão com manicure. O e-commerce como aposta Os Shoppings da brMalls no Rio vão apostar na experiência da compra online, disponibilizando descontos exclusivos nos marketplaces do NorteShopping, Shopping Tijuca e Plaza Niterói, além de realizar a entrega dos produtos no mesmo dia. Quem optar por optar nas lojas fisicas, pode se beneficiar de ofertas de até 50% na Arezzo, Eudora, Sestini, Sapatella, Enjoy. Já quem escolher comprar pelo aplicativo e-NorteShopping, ganha um cupom adicional de desconto de 30%, além de pagar o frete simbólico de R$ 0,01. A secretária Cintia Rodrigues da Silva, de 44 anos, aproveitou para adquirir produtos que desejava há muito tempo: — Eu não conhecia a Semana do Brasil. Vi nas redes sociais que estavam oferecendo desconto de 30% e comprei duas águas de colônia por R$ 41,99. Também recebi amostras grátis e já estou pensando em fazer uma nova compra na mesma loja. Para Rodrigo Azevedo, diretor comercial do Vigia de Preço, plataforma que ajuda o usuário fazer compras pela internet pelo menor valor, o movimento das lojas de baixa de preço irá atrair, principalmente, o público que já tinha um desejo de consumo e esperava a melhor oportunidade para a compra. — Mesmo nesse período que estamos passando, as pessoas não deixam de comprar o essencial. E, muita gente, que não perdeu emprego ou sofreu alteração nos rendimentos, acabou economizando com o fato de não poder sair ou viajar e usar este dinheiro guardado para comprar o que já “namoravam” nas vitrines. À medida em que a oportunidade surge, as pessoas compram — opinou. Grandes varejistas também vão dar descontos Durante a Semana do Brasil, o Boticário irá oferecer todos 300 itens selecionados com até 50% de desconto. As clássicas fragrâncias florais, como Floratta Blue (R$ 59,90) e Floratta Gold (R$ 59,90), estarão com 40% de desconto. A linha de cuidados masculinos também estará com ofertas: o Malbec Club Pós-Barba, por exemplo, será vendido com 30% de abatimento, a R$ 37,90. Todos os itens podem ser adquiridos sem sair de casa, pelo site www.boticario.com.br; pelo WhatsApp, por meio do número 0800 744 0010; pelo app da marca; ou, ainda, através da rede de revendedores. O Magalu é outra grande rede que vai disponibilizar descontos em itens de todas as categorias — eletrodomésticos, móveis, colchões e celulares — e ofertas exclusivas em seu superapp e nas lojas físicas. No entanto, a sua aposta principal é o cashback: o cliente que fizer compras receberá uma parcela do valor pago na carteira virtual MagaluPay. O dinheiro poderá ser usado no pagamento de contas, transferências ou em novas compras no site e nas lojas. — No ano passado, a campanha superou as expectativas e teve um resultado expressivo para o mês de setembro. Este ano, acreditamos que a data será tão boa quanto a de 2019, porque faremos uma campanha multi-canal — explica Ana Paula Rodrigues, diretora de marketing do Magalu: — Além de lojas e aplicativos, os vendedores parceiros que podem vender pelo celular, em casa, também participarão. Longe da Black Friday A Semana do Brasil surgiu como uma tentativa de deslocar o grande volume de vendas da Black Friday para uma data mais distante do Natal, a fim de não gerar impactos nos resultados dessa data comemorativa. Entretanto, especialistas acreditam que o evento ainda terá que percorrer um longo caminho para rivalizar com a sexta-feira negra. O líder da unidade de negócios de varejo da consultoria Bip, Wagner Pereira, acredita que falta incentivo para o evento se popularizar. Para ele, sem campanhas expressivas de divulgação, muitas pessoas não têm conhecimento da ação. — Para o varejista com estoque parado, esse evento pode ser importante. Mas transformar a data em algo relevante como a Black Friday não é nada fácil. Este ano, por causa da crise, é muito provável que o resultado seja ainda pior que o de 2019 — argumenta Pereira: — De acordo com dados do Google Trends, o interesse por Semana do Brasil está 60% menor que o do ano passado. Isso, com certeza, vai refletir nas vendas. O presidente da Associação Brasileira dos Lojistas Satélites, Tito Bessa, também não espera bons resultados e ainda critica a falta de organização do evento: — Essa

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Energia sob controle: mercado de smart grid tem sido responsável por crescente digitalização da rede elétrica no Brasil

Lide (Grupo de Líderes Empresariais) – 03 de setembro de 2020 Os serviços de Smart Home Energy Management, referem-se, geralmente, a controles de termostatos, ar condicionado, controle da calefação nos países frios, além de serviços de sensores de temperatura, umidade e de previsão do tempo ligados ao conceito mais amplo de casas inteligentes: todos conectados por assistentes digitais, como os fornecidos pelas grandes empresas tecnológicas. Estes serviços são funcionais e estão primariamente focados em reduzir o consumo, a poupar energia, incluindo progressivamente o armazenamento em baterias e sistemas inteligentes, além da geração com sistemas de geração distribuída. A geração de energia distribuída se tornará uma agenda importante para o mercado consumidor no Brasil nos próximos anos, em que os vários produtos e serviços para casas inteligentes relacionadas com o consumo, aliado às tecnologias de armazenamento, vão permitir uma independência energética das residências. “O mercado mundial de gestão de energia para casas inteligentes vai crescer com Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) de 20% e superar 11 bilhões de dólares, em 2023. No Brasil, este mercado deve chegar a valer até 300 milhões de dólares no mesmo ano”, estima Paolo Re, sócio da Bip Brasil, consultoria global. Também há um grande potencial para a integração de veículos elétricos com as casas inteligentes, uma vez que estas servem à rede como meio de armazenamento de energia. “Isto faz com que o mercado cresça com taxas interessantes na Europa e nos Estados Unidos, em que cada um vai contribuir com cerca de 1/3 do mercado. No entanto, a maior taxa de crescimento será na China, onde é esperado um crescimento das casas inteligentes com uma CAGR de 30% ao ano”, explica Paolo Re. Gestão de energia A abundância de regiões com muitas horas de sol por dia, faz do Brasil um ambiente fortemente favorável para a geração distribuída. Tanto que, segundo Re, o número de consumidores e geradores de energia que não pertencem às classes A e B está aumentando. “O tamanho do país e algumas dificuldades crônicas das redes, fazem com que o armazenamento seja muito atrativo para os consumidores finais nos estados menos populosos. A redução nos preços das baterias também está tornando mais acessível o armazenamento e, consequentemente, os serviços de back-up, quando ocorre blecaute, a redução de pico de demanda, além de evitar multas por ultrapassagem da carga máxima e gestão do horário do consumo, com a redução nos horários de preço maior”, destaca. Em razão das tarifas cobradas pelas concessionárias, a solução mais procurada para redução dos custos com energia elétrica em residências é a instalação de painéis fotovoltaicos, também conhecidos como energia solar. Tratam-se de equipamentos compostos por células solares e inversores, capazes de captar e converter a luz do sol em energia elétrica, e então, ser distribuída para as as residências, detalha o diretor da Apex Soluções, Guilherme Martins. As principais vantagens obtidas com o uso do sistema são, segundo Martins, a redução no custo com energia elétrica, sustentabilidade, baixa necessidade de manutenções, redução da poluição e taxas de carbono, assim como a valorização do imóvel. Por outro lado, atualmente os maiores desafios estão relacionados às dúvidas dos consumidores e não mais ao custo do equipamento, que, por sua vez deixou de ser um revés, aumentando a rentabilidade dos projetos. Para a companhia, o aumento da procura por projetos fotovoltaicos em residências, ocorreu nos últimos 12 meses, tendo aumento significativo de aproximadamente 30% no momento atual da pandemia causada pelo novo Covid-19, em que os consumidores começaram a acompanhar de perto o consumo e o custo. Com isso, buscam soluções eficientes que possam proporcionar redução nos gastos com energia elétrica. Compartilhamento Dentro dos serviços Smart Grid voltados para os consumidores residenciais, a empresa Sun Mobi, além de oferecer a possibilidade de escolha de uma fonte de energia limpa e sustentável, disponibiliza um pacote de serviços exclusivos que inclui o acompanhamento ativo do consumo de energia e o estímulo à adoção de ações que evitam desperdícios, feito por meio da medição inteligente do consumo de energia e de orientações em favor da redução de desperdícios. Para tanto, são usados medidores inteligentes, que permitem o acompanhamento em tempo real do consumo de energia, explica Alexandre Bueno, sócio da Sun Mobi. “Nosso sistema possibilita que o consumidor tenha uma relação mais próxima e consciente dos usos da energia. Basta, por exemplo, ligar o ar condicionado para identificar seu impacto na rede imediatamente. Logo, o cliente que entende melhor o seu comportamento e seu consumo tende a ser mais sustentável, com isso, também gasta menos. Estudos da Universidade de Oxford comprovam que esse tipo de ação permite economizar até 15% de energia. Vários clientes nossos já registraram economias superiores a 25%”, relata. De acordo com o executivo, o monitoramento é oferecido para todos os clientes, mudando apenas o meio de como é feito. Os que ocupam edificações menores, com gasto de até 1.000 kWh por mês, por exemplo, recebem um relógio de mesa que apresenta informações instantâneas sobre o consumo. Já clientes de maior porte podem verificar o consumo on-line em qualquer lugar, via App, que também possibilita monitorar a geração em tempo real das usinas solares da empresa, traz relatórios individuais específicos do cliente e um canal de relacionamento com a empresa. “Em breve, a empresa vai lançar um sistema de alarmes para alertar imediatamente o cliente caso seja verificado algum consumo muito diferente do padrão, podendo indicar algum desperdício. Atualmente, isso já é feito por meio de relatórios mensais detalhados. Tais serviços não são prestados por nenhuma distribuidora no Brasil”, evidencia. Smart Buildings Quando falamos sobre consumo de energia em edificações é primordial mencionar também, quão importante é a questão sustentável. De acordo com Marcos Matias, presidente da Schneider Electric, ter um edifício inteligente permeia os aspectos ambientais, profissionais, pessoais e financeiros. “A Schneider acredita que é possível termos um mundo mais sustentável e que as edificações são parte significativa da produção de carbono no mundo e todos nós devemos buscar por tecnologias que consigam realmente reduzir o consumo não pensado de energia

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Especial: energias renováveis geram menos emprego e renda no Brasil

Broadcast, Estadão – 31 de agosto de 2020 Por Denise Luna e Fernanda Nunes As energias renováveis avançam na matriz energética brasileira. Mas o País ainda busca a melhor forma de replicar esses ganhos na geração de emprego de qualidade e renda. Apesar dos investimentos recentes nesse segmento, a cadeia produtiva de uma usina solar brasileira ainda contrata 17 vezes menos trabalhadores do que uma semelhante na Europa, segundo dados da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena). No segmento eólico, são cinco vezes menos. O quadro do conjunto das renováveis brasileiras só não é pior por conta do grande número de trabalhadores na extração da cana-de-açúcar e nas usinas produtoras de etanol. No fim das contas, por dominar a tecnologia na cadeia fornecedora, o país mais beneficiado pelo avanço das renováveis no mundo acaba sendo a China, onde está quase metade das contratações do setor, segundo a Irena. E a projeção é que, no futuro, esse cenário se acentue ainda mais, com a Ásia respondendo por 64% dos 42 milhões de vagas da indústria de energia limpa. O domínio da inovação já faz diferença até mesmo para economias com poucos recursos naturais. O volume de empregos e investimentos no Brasil ainda está muito aquém em relação a países como Alemanha e Japão, que têm um potencial no segmento de energia limpa muito menor que o brasileiro. A atuação do Brasil se concentra na expansão de parques eólicos e solares. O desafio é criar uma sinergia nessa indústria, atraindo projetos de tecnologia e fabricação de componentes. Paolo Ré, sócio da consultoria Bip, avalia que o setor de energia sempre esteve concentrado em petróleo e acrescenta que as start-ups, associadas a grandes companhias, até mesmo às petroleiras, podem ser o “pulo do gato” que o setor elétrico precisa para dar um salto tecnológico. Embora não sejam grandes empregadoras, empresas de inovação dão suporte a outras indústrias, como as de óleo e gás, que ainda buscam o melhor modelo de negócio na área de energia sustentável para desenvolverem no Brasil.

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