Categoria: Oil & Gas

O esforço para transição energética foi subestimado?

Nas últimas semanas, o mercado acionário presenciou o crescimento do preço de várias fontes energéticas, como petróleo, gás natural e carvão que atingiram seus valores mais altos desde o início da pandemia. Esses eventos materializaram o agravamento da crise energética global, com efeito direto nas principais economias do mundo, em especial na Europa e na China. Embora fatores como a retomada da demanda global, em resposta à vacinação contra a Covid-19, e os choques de oferta tivessem sido determinantes na elevação expressiva destes preços, outros fatores contribuíram para elevar o risco de abastecimento energético, principalmente nas duas regiões. A crise energética na Europa e na China são apenas dois exemplos de como, em períodos de fortes desestabilizações no mercado de energia, as grandes potências podem impactar a indústria global e exigir uma reavaliação das estratégias energéticas e econômicas de várias regiões.   Crise energética na Europa No final do primeiro semestre de 2021, o consumo de gás natural liquefeito (GNL) cresceu 16% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo que 30% desse aumento veio da Alemanha e 25% do Noroeste europeu. Por um lado, a demanda, que tem sido impulsionada pelo aumento da vacinação contra a Covid-19, deve aumentar ainda mais com a chegada do inverno no hemisfério norte. Por outro lado, a capacidade da oferta não tem sido suficiente para atender à essa demanda crescente, gerando diversos choques de oferta. Entre esses choques, um dos mais importantes trata do atraso do fornecimento do gás russo para a Europa. A fim de pressionar o uso do recém-construído Nord Stream 2, os especialistas acreditam que o governo russo tem se aproveitado das dificuldades de abastecimento para postergar as vendas de gás para a Europa Ocidental. Não custa lembrar que o gás russo representa quase 40% de toda a importação feita por gasodutos pela Europa. Um outro choque de oferta está relacionado à estratégia europeia de tornar sua matriz energética cada vez mais limpa, reduzindo o uso de energias fósseis. Uma das formas de atingir esse objetivo é por meio do aumento dos preços do carbono na Europa. Esse mecanismo tem encarecido o valor da energia fóssil em vários países e, em alguns deles, tornando o preço de aquisição proibitivo. “O Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia, que é o maior programa de comércio de carbono do mundo, cobra aos emissores por cada tonelada métrica de dióxido de carbono que emitem. Os preços recorde do carbono tornaram as fontes de produção de energia altamente poluentes ainda menos atrativas porque o carvão, por exemplo, emite mais dióxido de carbono quando é queimado”, relatou o jornalista da CNBC, Sam Meredith. Ainda em algumas localidades na Europa, como no Reino Unido, a falta de vento tem reduzido significativamente a produção de energia eólica, ironicamente contribuindo para uma tempestade perfeita, em termos de choque de oferta.   Crise energética na China Na China, as importações de GNL cresceram 27% entre o primeiro trimestre de 2020 e o mesmo período de 2021, o que sinaliza uma rápida recuperação do consumo. Isso ocorre ao mesmo tempo em que há grandes pressões para reduzir a intensidade energética do país. Ou seja, há uma busca do governo chinês para que essa demanda incremental seja atendida por outras fontes que não o carvão. Como noticiou o jornal Valor Econômico, a partir de uma publicação Nikkei Asia, o presidente do país asiático “prometeu que as emissões de carbono da China atingirão o pico antes de 2030 e que o país alcançará a neutralidade de carbono em 2060. Isso implica em uma grande mudança em um país onde mais da metade de toda a energia é gerada a partir do carvão — e as autoridades estão levando as metas ambientais a sério. Em agosto, o principal órgão de planejamento econômico da China, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês), questionou as províncias — entre elas Jiangsu, Guangdong e Hubei, importantes centros industriais — por não cumprirem as metas de intensidade energética para o primeiro semestre de 2021. Posteriormente, as autoridades locais enviaram avisos às empresas exigindo que cortassem o consumo de energia”. O crescimento das restrições para o acesso do carvão associado ao aumento do preço da matéria-prima tem gerado escassez no abastecimento energético local. Isso porque, como o preço vendido na China é regulado, os produtores de energia não conseguem repassar integralmente o encarecimento da matéria-prima para os consumidores. Por isso, há um forte desincentivo a produção de energia por muitas usinas no país. “Como os preços da energia são regulados, as usinas perderiam mais de 0,15 yuans por quilowatt-hora de energia gerada com os preços atuais dos combustíveis”, diz a mesma matéria do Valor. No entanto, a situação da China pode ser considerada menos dramática porque o país tem contratos de fornecimento de GNL de diferentes países, como Austrália e Qatar, conta com as exportações do gás russo e possui amplas reservas de carvão. Adicionalmente, a China tem uma forte coordenação da indústria de energia por meio de suas estatais, o que facilita o encaminhamento de soluções, junto com a iniciativa privada, para o aumento da oferta de energia. Apesar disso, até o presente momento, o governo chinês têm optado por reduzir a produção de parte da sua indústria – aquela considerada mais poluidora – visando, ao mesmo tempo, elevar a eficiência energética e diminuir uso de fontes fósseis.   Crise energética no Brasil Essa estratégia do governo chinês deve impactar inúmeras cadeias produtivas globais. No caso do Brasil, a queda da produção industrial chinesa deve diminuir as exportações de commodities. “(…) menos crescimento da China (…) pode significar queda tanto nos volumes comprados por ela, quanto no preço dos produtos que ela compra – notoriamente as commodities, que são produtos básicos negociados em bolsas internacionais como minério de ferro, petróleo e grãos. Como o Brasil é um dos principais exportadores de muitas delas, e a China sua principal compradora, principalmente no minério de ferro, a economia brasileira também pode acabar perdendo nesta frente

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Breve panorama das empresas petrolíferas na transição energética, no Brasil e no mundo

Nos últimos anos, as empresas de petróleo têm sido confrontadas com a necessidade de adaptação às mudanças na matriz energética global que, gradativamente, está reduzindo o peso das energias fósseis e convergindo para aquelas mais limpas e renováveis. Isso, por sua vez, não significa que todas as corporações estão adotando estratégias de negócio em direção às energias limpas. Embora todas elas estejam buscando reduzir sua pegada de carbono, a forma como isso tem sido feito varia consideravelmente entre cada uma das petrolíferas. E, mais importante: o petróleo e gás natural continuam como seu core business e tudo indica que continuarão assim, ao menos nos próximos anos.   Estratégias de Entrada De forma geral, pode-se observar a existência de três principais estratégias para a entrada no segmento de renováveis: Agressiva: constitui numa entrada acelerada e diversificada no segmento de energias renováveis e descarbonização, em termos de expansão do investimento e da inclusão de novos ativos. A expectativa é que, na próxima década, o negócio de energia renovável aumente sua participação na cadeia de valor destas empresas. As principais petrolíferas que estão nesse grupo são as europeias, principalmente a francesa TotalEnergies e a norueguesa Equinor. Equilibrada: constituída por um crescimento dos negócios em renováveis e descarbonização, mas em um ritmo não tão superior ao das atividades de petróleo e gás natural. Nesse caso, é possível que os ativos em energia renovável ganhem espaço na cadeia de valor dessas empresas, mas de forma relativamente mais lenta que no primeiro grupo. A prioridade dessas empresas é de ampliar sua geração de energia em várias frentes, incluindo petróleo e gás natural. As empresas chinesas são bons exemplos neste grupo. Conservadora: concentra-se nos investimentos em ativos de descarbonização. Nessa estratégia, como o objetivo é continuar seu foco nas atividades de petróleo e gás natural, a atuação das empresas está direcionada para a redução de sua pegada de carbono. Ou seja, a prioridade é tornar o processo de produção de petróleo, gás natural e seus derivados “mais limpos”. As petrolíferas americanas vêm seguindo essa estratégia. Cabe ressaltar que, a despeito de existir uma diferença considerável na forma de realizar sua “transição energética”, todas as empresas têm se apoiado em parcerias e entrado de forma cautelosa nos segmentos de renováveis. Como mostra um estudo coordenado por Ensieh Shojaeddini, da US Environmental Protection Agency, a inserção das petrolíferas na indústria de energia renovável ocorre de forma relativamente passiva por meio de “acquisitions and minority investments; venture capital investments; direct ownership of renewable generation assets; and research and development (R&D)”. Um outro estudo, de Zhong e Bazilian (2018), reforça essa percepção ao mostrar que o caminho de atuação das petrolíferas globais em renováveis está concentrado em: Disseminar a expertise operacional do setor de exploração e produção offshore e de refino, respectivamente, para o segmento de eólica e de biorrefinarias; Prover financiamento (venture capital) para startups com alta intensidade tecnológica em renováveis; Construção de negócios integrados com o setor de renováveis, principalmente nas operações de exploração e produção. Apesar disso, de maneira geral, as empresas europeias têm sido mais agressivas na atuação da indústria de renováveis, em relação às IOCs americanas e as NOCs chinesas. Nesses dois últimos grupos de empresas, principalmente em razão dos interesses e potencialidades dos seus países, os investimentos no segmento de renováveis são inexpressivos, embora no caso chinês haja uma sinalização de mudança desse quadro no médio prazo, diferentemente do caso americano. Gráfico – Investimento das majors em energia de baixo carbono (2010-2018). Em proporção do Capex total Font: Shojaeddini et al. (2019)   Atuação das Grandes Petrolíferas Mais importante do que o desempenho recente, é a ambição de cada uma dessas empresas no médio prazo e longo prazo. A Equinor, por exemplo, adota uma postura mais agressiva no segmento de energia limpa desde o seu Plano de Negócios de 2008.Com metas audaciosas de elevar significativamente seu Capex em energia limpa e/ou liderar globalmente, alguns elos da cadeia de renováveis, a empresa atualmente possui uma maciça participação no mercado de energia eólica offshore europeu e avança com projetos fotovoltaicos na América do Sul, como o parque fotovoltaico em Apodi, no Brasil, com capacidade de 162 megawatts. Da mesma forma, a Total vem acelerando as parcerias em diferentes áreas, e ampliando sua atuação para vários lugares do mundo, incluindo o Brasil. O recém reposicionamento da marca para TotalEnergies aponta para a estratégia de disputar os mercados de eletricidade, hidrogênio, biomassa, solar e eólica, mantendo ainda investimentos em óleo e gás em seu portfólio de projetos. O mesmo ocorre com outras empresas europeias, principalmente a BP, que tem uma antiga relação com a produção de energia solar. Após sinalizar uma saída do negócio solar em 2011, a BP realizou uma mudança de visão do negócio para reingressar nesse mercado. Seguindo o caminho das petrolíferas globais, apostando em negócios integrados e estabelecendo parcerias com startups, ela ampliou a participação no mercado de energia eólica, nos Estados Unidos e em etanol no Brasil. Desta forma, a companhia sinalizou para o mercado a importância de continuar encontrando novos modelos para atuar, cada vez mais, no ramo de energias renováveis. Em contrapartida, o desempenho das petrolíferas americanas tem sido muito mais tímido do que de seus pares europeus. De 2010 a 2018, a Chevron e a Exxon investiram, cada uma, somente 0,2% do seu Capex em renováveis, enquanto as europeias TotalEnergies e Equinor aplicaram 4,3% e 1,8%, respectivamente. Contudo, recentes movimentos de acionistas, tanto da Exxon quanto da Chevron, podem pressionar ações mais favoráveis à agenda climática, apesar de ainda não se esperar dessas empresas uma diversificação significativa de seus portfólios.   Atuação no Brasil Ao mesmo tempo que as petrolíferas europeias demonstram interesse nos ativos de energia renovável, o Brasil se estabelece como um dos mercados com maior potencial nessa frente. Além da nossa imensa fronteira agrícola, que nos fornece grande vantagem competitiva para a produção de biocombustíveis, o Brasil conta com um potencial imenso para a geração solar e eólica, inclusive offshore. Nesse último caso, há ainda a existência

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Um novo mercado de refino no Brasil

Elaborado por: Bernardo Caldeira, Rodrigo Bragantine e Rubem Gama A indústria de óleo e gás tem passado por um ano desafiador, considerando a pandemia ocasionada pela COVID-19 e com grandes efeitos de oscilação negativa de preços dos petróleos Brent e WTI, motivados pela queda de demanda na commodity em diversos países do mundo, além de recentes desalinhamentos sobre o corte na produção entre a Rússia e a Arábia Saudita. Frente a esta conjuntura, o petróleo Brent atingiu níveis de preço inferiores a 2015, ano marcado historicamente por uma grande redução ante o período de 2010-2014, conforme explicita o gráfico abaixo: Figura 1 – Oscilação de preço do petróleo Brent entre 2005 e 2020 (1) É importante trazermos o panorama de preços do petróleo Brent neste caso em função do tema central deste artigo que é o plano de desinvestimentos da Petrobras. A estatal brasileira, divulgou em novembro de 2019(2) o seu novo plano estratégico. Dentre os destaques deste plano, listamos: Previsão de CAPEX de R$ 75,7 bi, com 85% alocado no segmento de Exploração & Produção (E&P); e Concentração nas operações do pré-sal, com maiores retornos sobre o investimento. De maneira resumida, observamos um posicionamento da Petrobras em se tornar uma empresa menos verticalizada na indústria e mais concentrada no segmento de E&P, com notória especialização em águas ultra profundas. Neste contexto, o parque de refino da Petrobras representa um grande volume de ativos listado no plano de desinvestimentos da companhia. Embora haja intenção de se concentrar nas atividades de E&P, a atual Diretora de Refino & Gás Natural da empresa, Anelise Lara, em recente entrevista(3), afirmou que a Petrobras não planeja se desfazer de todas as suas refinarias e deve manter as operações no eixo Rio-São Paulo, com aproximação estratégica de seus principais ativos de produção no pré-sal e de grandes mercados consumidores do Brasil. Considerando a venda bem sucedida destes ativos, a Petrobras passará a ter, aproximadamente, metade da sua capacidade de produção atual no segmento. De acordo com estudos de 2018, a Petrobras é responsável por 98,4% (4) da capacidade instalada no Brasil. Este panorama traz uma série de questões técnicas e oportunidades para interessados nestes ativos. Será que o investimento em uma refinaria é atrativo considerando o contexto brasileiro, panorama atual da indústria e perspectivas futuras? Neste artigo destacaremos alguns destes pontos com o objetivo de formular uma análise de mercado, identificando oportunidades e ameaças. Abaixo apresentamos um breve resumo das características das oito refinarias listadas para venda no plano da Petrobras com seus resultados de 2019, de forma a começarmos a entender alguns importantes aspectos de atratividade destes ativos:   Refinaria Isaac Sabbá (REMAN) (5) A Refinaria Isaac Sabbá foi inaugurada no ano de 1957, na margem esquerda do Rio Negro, em Manaus (AM) sendo estatizada em 1974. A refinaria possui uma capacidade de processamento de 46 mil barris por dia e possui como principais produtos GLP, nafta petroquímica, gasolina, querosene de aviação, óleo diesel, óleos combustíveis, óleo leve para turbina elétrica, óleo para geração de energia e asfalto. A REMAN se liga a três portos de recebimento e entrega de derivados geridos pela Transpetro, atendendo prioritariamente os estados do Pará, Amapá, Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima. Além disso, a refinaria é autossuficiente em energia, dispondo de uma central termoelétrica. Origem do petróleo refinado Tancagem de Petróleo (m³) Tancagem de derivados (m³) 100% nacional 129.770 258.537 Tabela 1 – REMAN Origem e Armazenamento de Petróleo e Derivados (6) Capacidade Autorizada (m³/d) Média de Volume Processado (m³/d) Média do Fator de Utilização Efetivo (FUE) 7.300,00 5.046,73 69,13% Tabela 2 – REMAN Capacidade e Volume de processamento (6) Perfil de Produção Média de Capacidade Autorizada/ mês Asfalto (kg) 8.175.105,33 Cimento Asfáltico (kg) 7.962.832,00 DMA-MGO (L) 17.130.915,88 Gasolina A (L) 74.736.358,17 GLP (kg) 3.264.002,50 Nafta (L) 15.163.917,67 Óleo Combustível (kg) 8.619.023,83 Óleo Combustível Marítimo (kg) 4.146.483,75 Óleo Diesel S500 (L) 38.858.881,33 Querosene de Aviação (L) 14.259.663,17 Tabela 3 – REMAN Perfil de Produção (6)   Refinaria Abreu e Lima – RNEST (7) A Refinaria Abreu e Lima (RNEST) está localizada em Pernambuco no município de Ipojuca a 45 km da capital Recife. Iniciou suas operações em 2014 com projeto original de produzir aproximadamente 230 mil barris/dia, contudo somente o primeiro conjunto de unidades (Trem I) foi posto em operação com capacidade nominal de 100 mil barris/dia Outro fato relevante é que essa refinaria não produz gasolina, em virtude de possuir unidades de destilação atmosférica o que lhe permite apenas a separação de compostos existentes no petróleo, desta forma não alcançando a octanagem da corrente nafta necessária para produção de gasolina. Entretanto, a sua produção se concentra (cerca de 70%) em outro derivado de extrema importância: o óleo diesel.  Origem do petróleo refinado Tancagem de Petróleo (m³) Tancagem de derivados (m³) 90,4% nacional 804.204,83 m3 779.182,75 m3 Tabela 4 – RNEST Origem e Armazenamento de Petróleo e Derivados (6) Capacidade Autorizada (m³/d) Média de Volume Processado (m³/d) Média do Fator de Utilização Efetivo (FUE) 15.900 13.216 83,12% Tabela 5 – RNEST Capacidade e Volume de processamento (6) Média de Capacidade Autorizada/ mês Perfil de Produção Coque (kg) 41.079.005,67 DMA-MGO (L) 3.897.898,00 GLP (kg) 5.118.888,17 Nafta (L) 60.738.370,00 Óleo Combustível (kg) 9.696.399,67 Óleo Combustível Marítimo (kg) 16.145.453,25 Óleo Diesel S10 (L) 202.240.251,50 Óleo Diesel S500 (L) 69.785.015,42 Tabela 6 – Perfil de Produção (6)   Refinaria Landulpho Alves – RLAM (8) A Refinaria Landulpho Alves foi fundada em 1950 e foi a primeira refinaria nacional impulsionada pela descoberta de petróleo na Bahia. A RLAM está localizada no município de São Francisco do Conde, na região do Recôncavo Baiano e é o maior complexo industrial do polo petroquímico de Camaçari com uma capacidade instalada é de 323 mil barris/dia. Além de ser a única produtora nacional de food grade (parafina de teor alimentício) e n-parafinas (derivado matéria prima na produção de detergentes biodegradáveis). Origem do petróleo refinado Tancagem de Petróleo (m³) Tancagem de derivados (m³) 97,93% nacional 579.278,90 980.534,58 Tabela 7 – RLAM Origem e Armazenamento de Petróleo e Derivados

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Seize the opportunity for a new environmental policy

This article is available only in English. A New Crisis with potential “Old Effects” In these moments of a global pandemic we all had the chance of thinking about the perspectives for our lives and our working and business environments for next and long-term future. One of my recurring reflections has been whether we might have some positive effects on the environment and the climate changes due to the reduced level of economic activities, use of transportation, both public and private, and the stop to nearly all air travel for some time. I had a great expectation in terms of reduction of emissions throughout the world and that this experience might help us changing structurally the way we use the natural resources. Unfortunately, my expectations are not so likely to be attended. According to IEA It is true that the expected fall in demand for energy in 2020 (- 6%) is mainly  due to the fall in demand for fossil sources (Oil -9,1%, Coal -7,7%, Gas -5%) while the demand for energy from renewable sources will grow 0,8%. But also, due to the collapse in demand, the prices of these commodities fell heavily. Historically, investments in alternative sources have always had a great impulse in times of high prices of oil and fossil sources in general: the moment of historical drop in prices of such sources is unlikely to favor investments in renewable sources. So, the drop in oil prices, coupled with the economic slowdown, may discourage investment in energy efficiency and renewable energy, in addition to encouraging the increase in consumption of oil products. The reduction in energy consumption should imply a consequent reduction in GHG emissions in the short term. According to Nature, global emissions of CO2 dropped around 17% by early April compared with the 2019 mean levels. Here in Brazil, nevertheless, emissions are expected to rise (around 10%) due primarily to deforestation. The expectation is to have a drop in emissions worldwide around 8% or 2.6 GtCO2 (IEA) which is more than in any other year on record. Looking back over the past few decades, we always see that economic crises usually are marked by temporary declines in GHC emissions. This happened following the oil shocks of the 1970s and the global financial crisis of 2008. After the latter, though, we saw emissions rise to record heights in 2010, in part because of widespread policies intended to stimulate economic recovery that had limited regard for the consequences on the environment. So, in the end emissions and pollution recover when economies start to reheat, more than offsetting any short-term climate benefits. Can it be different now? The world is currently in the process of trying to understand how our economies can recover from a shock that is expected to cause for the first time in recent history a fall in Real World GDP (-2,4% according to OECD). We are seeing an incredible amount of financial resources put into the economic systems worldwide to try and soften the impact on people’s welfare and companies’ balance sheets and reduce bankruptcies in the short term. In April, all G20 countries implemented already measures amounting more than 7 tn US$, and now it exceeds 10 tn US$. This comes at a tipping point for the destiny of our planet: the UN Environment Programme estimates that Global GHG emissions must fall 7,6% every year from 2020 to 2030 to keep temperature increase to less than 1.5°C. So, we are facing an incredible opportunity to define policies and design and implement global changes that can help our planet and our life on it for the long term. Politicians and Business Leaders are trying to pave the way: in April was launched the “European alliance for a Green Recovery” the “first pan-European call for mobilisation on post-crisis green investment packages (that) will work to build the recovery and transformation plans which enshrine the fight against climate change and biodiversity as a key pillar of the economic strategy”. It was born with the support of more 180 politicians, NGOs, business leaders, trade unions and NGOs, and since many others have joined in, including the leading European manufacturers and financial institutions. At the same time, the public opinion is supporting a change in priorities in the investments that will be made. A survey by IPSOS in mid-April asked people whether they agreed or disagreed with “In the economic recovery after Covid-19, it’s important that government actions prioritize climate change”. Nearly two thirds of agreed with that, supporting a “Green recovery” with a stronger support in BRICS than in the rest of the world (India 81%, China 80% Brazil 66%, world average 65%). In the same survey less people (44% against 48%) were encouraging governments to focus on the economy recovery without taking in consideration the environment. Apparently, the public opinion does not believe, as some politicians do, that investments in the environment are only for rich countries or that the economy comes first and our planet later. We must find a way to create a recovery path for the economy that is smart and greener that our current situation. So, what to do now? The next question is probably the one with most difficult answer: what to do with the massive amount of resources that are likely to be injected and deployed into the economic system? There are many people trying to answer and probably many more will come soon. Here below are the ones I gathered from different studies (the most relevant being “Will COVID-19 fiscal recovery packages accelerate or retard progress on climate change?” Oxford University Press) which I believe can be the most interesting developments in many countries, including Brazil where I live. 1. Some policy types can deliver both economic recovery and climate goals together: Investment in clean physical infrastructure in the form of: renewable energy assets storage (including hydrogen) grid modernization and CCS technology Building efficiency spending for renovations and retrofits including improved insulation, heating, and domestic energy storage systems

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Cenários do mercado de energia 2020 e pós COVID-19

Pesquisa da consultoria Bip indica que governos e setores econômicos apresentarão maior dificuldade em reduzir as suas emissões no longo prazo, devido aos baixos preços das commodities e do O&G. Um dos primeiros efeitos da crise do COVID-19 no mundo foi a redução do consumo de energia. A desaceleração da atividade econômica em razão das restrições à circulação das pessoas e ao isolamento social resultou na redução da demanda de energia  de  25%, em média, nos países com  lockdown  total e  de 18%, em média,  em países com  lockdown  parcial (IEA 2020). Estima-se que a despesa mundial com petróleo será reduzida em 1 trilhão de dólares, em 2020, enquanto a despesa com eletricidade sofrerá redução de 180 bilhões.  No Brasil, a redução do consumo de energia elétrica foi de 11% (21 de março – 08 de maio) no mercado regulado e 12% no mercado livre (CCEE). A redução está sendo mais forte no Sudeste/ Centro Oeste (14%) – com o RJ liderando em 21%- e no Sul (14%). No Nordeste foi de 11% e no Norte 2%. Em resposta à retração da demanda de energia, a geração  por fontes renováveis sinaliza  um pequeno crescimento (+0,8%) em 2020. Os primeiros sinais do consumo na Europa durante o lockdown mostram um crescimento médio de 20% do consumo de renováveis com picos em alguns países específicos (Grécia, Estônia). Exceções são Portugal e Espanha nos quais está prevista uma retração. Consequentemente, espera-se uma redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no curto prazo.  Tais emissões, contudo, tendem a se recuperar após o término da pandemia. Na avaliação da Bip, a queda no preço do petróleo atrelada à desaceleração econômica pode desencorajar o investimento em eficiência energética e em energias renováveis no Brasil e no mundo, além de incentivar o aumento do consumo de derivados de petróleo.  “Historicamente, os investimentos em fontes alternativas tiveram impulso em tempos de alta de preços do petróleo e das fontes fósseis. Atualmente, a baixa histórica dos preços das fontes fósseis e do petróleo não favorece investimentos em fontes renováveis. Muitos governos e setores econômicos apresentarão maior dificuldade em reduzir as suas emissões no longo prazo, devido aos baixos preços das commodities e O&G especificamente”, afirma Paolo Ré, sócio da consultoria Bip e responsável pela pesquisa de cenários do setor. Investimentos  Os investimentos em energia vão diminuir 20% em todo o mundo, em 2020 , na comparação com 2019 (IEA). E nenhum dos subsegmentos vai ser poupado.  A redução de investimentos em energia renovável e eficiência nos usos finais de energia vai ser sensivelmente menor do que em outras categorias (10% contra 30% em O&G). Os investimentos globais em energia elétrica e eficiência energética vão corresponder a cerca de 0,7% e 0,3% do PIB global, respectivamente, em 2020. Tendências de mercado pós Covid-19 No cenário pós-covid, as companhias terão que determinar os impactos provocados pela pandemia nos médio e longo prazos e repensar as estratégias, adaptando o negócio às exigências do mercado: um mundo mais digital, uma população com foco renovado em sustentabilidade e mair número de cidades inteligentes. A Bip identificou que  mesmo  havendo reduzidos investimentos de energia renovável, o foco em sustentabilidade e a transição energética para fontes renováveis irá continuar, principalmente  em energia solar e  solar e hídrica . A mobilidade elétrica e os medidores de energia inteligentes (ou smart meters, em inglês) também vão atrair mais investimentos. Assim, o mercado de serviços avançados de energia ganhará forças, a saber: Digitalização das redes e do relacionamento com o cliente A digitalização irá  aumentar a sustentabilidade e a resiliência das redes para uma série de novos serviços e otimização dos consumos. O Digital Twin, a Manutenção Preditiva, o Smart Grid / Smart meter são os componentes fundamentais para modernização da distribuição. Ao mesmo tempo o relacionamento com os clientes da rede elétrica será cada vez mais digital, habilitando a auto medição, a interação eletrônica para assistência técnica, o faturamento e o pagamento eletrônico. As distribuidoras vão ter benefícios substanciais de redução de custos operacionais e de redução da inadimplência – uma das pragas do setor elétrico no Brasil. Eficiência energética e Geração Distribuída / corporativos Geração Distribuída- o consumidor se tornará produtor de energia, com uma pequena planta de geração fotovoltaica nas suas dependências. A energia gerada vai entrar na rede . No Brasil, o mercado potencial anual é de R$1,5 bilhões (pesquisa Bip, 2019) EMS (Energy Management System) –serviços (e sistemas) de monitoramento e otimização do consumo. A BIP estima um potencial de mercado de mais de R$ 3,5 bilhões no Brasil. Serviços para residências inteligentes A geração distribuída pode se tornar uma agenda importante também para o mercado consumidor, junto com as tecnologias de armazenamento de energia, que permitem uma independência energética das residências.  O Brasil com as altas taxas de iluminação solar em boa parte do território representa um dos principais mercados. O mercado  de gestão inteligente de energia para consumidores residenciais (termostatos, controle de ar condicionado, etc) vai crescer com taxa de crescimento anual composta (CAGR) 20% até chegar em  US$11 bilhões, em 2023. Cidades inteligentes/ mobilidade Parcerias com empresas de serviços, telecomunicações, startups e municípios para fornecer um novo conjunto de serviços públicos de mobilidade/ rastreamento de contatos /controle de doenças. A Bip estima em R$10 bi  o mercado da iluminação pública inteligente no Brasil A mobilidade elétrica pública  também será estratégica na gestão das cidades no futuro. Apesar da desaceleração no crescimento da mobilidade elétrica privada os carros elétricos no mundo vão passar de 1.7 milhões atuais a 8.5 milhões, em 2025.

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Jornada de Transformação Digital

A Transformação Digital trazida pela democratização dos dados e da tecnologia tem gerado impacto profundo nos negócios. No livro Digital Vortex, Jeff Loucks menciona que os setores sentem o efeito da disrupção digital em diferentes intensidades . Contudo, esse efeito acontece de forma mais acelerada com aqueles que têm um contato direto com os consumidores, como é o caso do varejo e do setor bancário. Outros, por sua vez, são menos susceptíveis à disrupção, como Óleo e Gás.

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PMBOK

Como as práticas do PMBOK podem auxiliar os processos de aquisição de TIC da administração pública?

Com a evolução digital global, os Governos também têm feito esforços no sentido de tornarem-se mais digitais e conectados com a Sociedade, tanto na oferta de novos canais de comunicação, como também visando uma melhoria da gestão pública, ao oferecer mecanismos que garantam à Sociedade maior transparência, economicidade e desempenho dos serviço. Neste contexto, os investimentos em TIC respondem por uma parte considerável do orçamento público. Porém, como as aquisições na área de TI são, na maioria das vezes, objetos intangíveis, o controle destes desperdícios não é trivial e este montante não passa incólume a desvios e ações de corrupção. Além de seu caráter estratégico, o grande volume de recursos empregados na contratação de serviços de TIC pelas organizações públicas no Brasil tem despertado interesse da sociedade civil e dos órgãos de fiscalização e muitos estudos têm sido realizados visando a melhoria na gestão destes processos de aquisição e gestão dos recursos. Nesse sentido, várias iniciativas buscam não só uma boa condução destes processos, mas primam que os projetos estejam alinhados com o Planejamento Estratégico de TIC e com o Planejamento Estratégico do órgão. A sociedade clama por uma máquina estatal que seja capaz de cumprir o seu papel social, que seja o catalizador das mudanças e que entregue ao cidadão uma estrutura de bem-estar e produtividade para o país. Mas sem pagar um preço alto com corrupções e desvios que minam a confiabilidade e questionam a capacidade dos governos. E para atingir este objetivo, a Administração Pública tem buscado modelos de gestão que já são praticados em vários países. O guia PMBOK, baseado nas melhores práticas de Gerenciamento de Projetos e que recebe contribuições do mundo todo, é um destes modelos nos quais a Administração Pública tem se baseado. Encontramos várias iniciativas de gerenciamento de projetos na própria legislação pública, que tem se aperfeiçoado para adaptar-se aos novos contextos. Neste artigo, meu objetivo é mostrar que o PMBOK apresenta uma série de ferramentas e processos já testados e utilizados como melhores práticas nas organizações privadas, que podem suportar a administração pública nesta difícil tarefa. Os processos PMBOK de gerenciamento de aquisições Para as contratações da Administração Pública de soluções de TI foi instituída a Instrução Normativa nº 1 de 2019 (revogando a IN 04/2014), emitida pela Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia. Neste instrumento, são disciplinados os procedimentos de contratação, que incluem as ações para a programação estratégica e as fases do processo (Planejamento da Contratação, Seleção do Fornecedor e Gestão do Contrato). Ao analisarmos o PMBOK, notamos que os processos previstos no Guia também estão alinhados a estas diretrizes legais, onde podemos notar a preocupação com a fase de planejamento, contratação/aquisição e gestão do contrato.  Desta forma, podemos dizer que as ferramentas e documentações previstas nesta área de conhecimento do PMBOK são facilmente aplicáveis ou adaptáveis aos processos das organizações da administração pública. De acordo com o PMBOK, um gerenciamento eficaz de aquisições deve passar por quatro principais fases: Planejamento do gerenciamento das aquisições Nesta primeira fase, deve-se realizar o levantamento da documentação das decisões de compras do projeto, especificando a abordagem e identificando fornecedores em potencial. Para esta fase, existem algumas ferramentas comprovadamente eficazes como:  opinião especializada, coleta de dados, análise de dados, reuniões e análise para seleção de fontes (menor custo, qualificações, qualidade/técnica, qualidade/custos). Condução das aquisições Após realizar o planejamento, a fase de condução das aquisições é onde toda a estratégia definida é colocada em prática. Na administração pública, esta fase é altamente controlada e supervisionada pelos tribunais de contas estaduais e federais. Para se iniciar o processo de condução das aquisições, todos as saídas (outputs) entregues pelo processo de planejamento deverão ser consultadas e obedecidas para garantir o devido alinhamento estratégico do projeto. Nesta fase também temos a influência dos fatores ambientais e processos organizacionais. Um dos principais documentos de entrada deste processo são as propostas dos fornecedores. Estas propostas devem possuir todas as informações básicas que serão usadas pelo grupo de avaliação, para definir um ou mais licitantes melhor qualificados para o início da habilitação e depois uma possível adjudicação do vencedor. Quando a licitação é de concorrência por preço é usual que a proposta de preço seja desvinculada da proposta técnica. As avaliações devem ser conduzidas conforme planejado no processo anterior. Para condução desta etapa, o PMBOK sugere a consulta a especialistas para avaliar tecnicamente as propostas. Estes especialistas podem ser: áreas funcionais e/ou usuários das soluções que estão sendo adquiridas; especialistas regulatórios do setor e especialista em negociação. Um item muito importante nas organizações de administração pública é a publicação dos editais de licitação. A  iniciativa de contratação de serviços deve ser divulgada publicamente para garantir o direito de participação de todos os fornecedores. Nesta divulgação devem estar descritos de forma clara e objetiva os critérios de avaliação e a especificação técnica dos bens e serviços que serão adquiridos. Para garantir o alinhamento e o entendimento de todos os interessados, devem ser realizadas reuniões com os licitantes e o conteúdo deve estar disponível para todos, evitando tratamento preferencial a qualquer um dos participantes. A análise de dados que deve ser usada neste processo inclui, entre outras, a avaliação das propostas. Estas devem ser avaliadas para garantir que respondam integralmente a todos os documentos da licitação, especificação do trabalho das aquisições, critérios de seleção e quaisquer outros adendos incluídos no edital de licitação. Neste processo de análise de dados, são colocados em teste todas as habilidades técnicas da equipe envolvida no processo de aquisição. A comissão de licitação deve ter poder de decisão e poder de eliminar fornecedores e assinar contratos. Controle das aquisições Uma vez realizada a aquisição, as organizações públicas devem fazer o acompanhamento e verificar a aderência aos requisitos descritos no edital de licitação. Sendo assim, o processo de controlar aquisições deve monitorar o desempenho do contrato, fazer mudanças e correções conforme apropriado e encerrar os contratos. Este processo deve ser realizado ao longo de todo o projeto, todas as vezes que

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Big Data tem sido usado para reduzir risco e garantir compliance em O&G

Em um setor onde a segurança está tão intimamente ligada à eficiência, é vital que as empresas tenham dados limpos e úteis ​​em todos os aspectos de suas operações. A análise avançada pode ser uma parte essencial dessa solução, mas o mais importante é que as organizações sigam uma abordagem baseada em dados. Na indústria de O&G, a análise de dados em tempo real certamente apresenta oportunidades inovadoras para estabelecer uma produção de petróleo mais eficiente, uma redução nos custos e riscos, uma melhoria da segurança, uma maior conformidade regulatória e uma melhor tomada de decisões. Mas hoje em dia, as vantagens não param por aí. Visando atender às diversas regulações e promover mais transparência e credibilidade ao negócios, as áreas de compliance das petrolíferas vêm se beneficiando do enorme volume de dados gerados diariamente nas operações e têm utilizado diversas técnicas de Big Data para identificar potenciais irregularidades. Ter pleno controle e comando das informações significa a possibilidade de desenhar o próprio futuro com mais previsibilidade, o que se traduz em vantagem competitiva e eficiência operacional. Quanto mais informações compuserem o universo da análise de dados, maior a oportunidade de redução de riscos. Já consciente deste benefícios, a indústria de Óleo e Gás tem investido fortemente em procedimentos mais robustos para identificar, mensurar e gerenciar os riscos que afetam o negócio. O uso dos dados em tempo real para a identificação de irregularidades Atualmente, o advanced analytics possibilita a captura e a integração de dados de toda a empresa e permite identificar como os riscos são difundidos em toda a rede de negócios. Essas informações capturadas são importantes para melhorar os controles e identificar não conformidades de forma automática. O uso da inteligência artificial baseada em modelos preditivos e machine learning permite que grande quantidade de dados sejam transformadas em indicadores de risco, performance operacional, produtividade e valor para as organizações, contribuindo para as análises dos departamentos de Risco, Compliance, Antifraude, Prevenção à Lavagem de Dinheiro, etc. Com a utilização de modelos estatísticos e um banco de dados robusto é possível identificar atividades suspeitas em tempo real, além do apontamento de possíveis áreas de atenção. O machine learning permite ao modelo “aprender” novas formas de fraudes utilizando retroalimentação. Um exemplo é o recebimento de e-mails criptografados que, caso sejam identificados como suspeito, geram um alerta aos novos e-mails semelhantes, tornando possível o computador ter autonomia para aprender novos tipos de fraudes e tentar bloqueá-las em segundos. Outra aplicação do Big Data em compliance é a prevenção à lavagem de dinheiro através de correlações entre contas bancárias, clientes e diversas outras variáveis visando encontrar alguma irregularidade. Este tipo de atividade demandaria muito custo caso fosse realizada de forma manual, sendo assim, além de auxiliar na prevenção e aumento da transparência, a tecnologia consegue simplificar processos manuais que demorariam dias para serem realizados. Neste sentido, o Big Data é uma revolução nos processos tradicionais, promovendo avaliações mais precisas, análises de crédito acuradas, detecção de fraudes e identificação de padrões de comportamento, tanto em relação ao cliente quanto aos produtos. O que a indústria de O&G no Brasil tem feito Quando analisamos a indústria de O&G no Brasil, notamos investimentos cada vez maiores em boas práticas de governança corporativa e compliance  nas empresas e a estimativa é que se tornem cada vez mais presentes na rotina e nas atividades das instituições. Muitas delas estão utilizando o compliance para manter o controle e a integridade no combate à corrupção. A Comissão de Compliance do IBP, composta por Chiefs Compliance Officers como Petrobras, Shell, BP e Chevron vem se dedicando à determinação de ações coletivas e diretrizes na condução das suas atividades e na criação de boas práticas voltadas às atividades da indústria de O&G. A Petrobras, por exemplo, busca ampliar e criar mecanismos de compliance no controle às práticas de integridade. A petroleira implantou um novo modelo de gestão e governança e tem trabalhado para garantir a conformidade dos processos e aprimorar os mecanismos de prevenção, detecção e correção, que impeçam a ocorrência de desvios éticos, como fraude, corrupção e lavagem de dinheiro.

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Energias Renováveis em o&g

Energias renováveis e o reposicionamento das empresas de O&G

Desde a Revolução Industrial até os dias atuais, os combustíveis fósseis ainda são os recursos centrais da matriz energética mundial. Mas com os problemas ambientais das últimas décadas, a utilização das formas de energia “não limpa” tem sido colocada em xeque e vários países vêm investindo na busca de novas fontes alternativas. A China, por exemplo, ao longo dos anos, foi se adequando às mudanças climáticas e investindo em novas maneiras de aperfeiçoar a oferta energética, transformando-se na líder mundial de investimento em energia limpa. Em 2017, o Governo Chinês criou uma “revolução energética” com o intuito de reduzir significativamente as emissões de CO² do país. O plano estratégico da China vem seguindo seus objetivos de diminuir o uso de carvão e substituí-lo por fontes mais limpas: 2% da carga de distribuição dos seus edifícios deverá ser proveniente da energia solar térmica até 2020. Os Estados Unidos também lideraram esse crescimento do uso de energias renováveis, contribuindo com cerca de 50% do aumento da geração de eletricidade proveniente de fontes renováveis. Em uma escala global, as renováveis tiveram a maior taxa de crescimento em comparação com as outras matrizes de energia no ano de 2017. A geração de energia renovável, segundo o recente Relatório Global de Status de Energia e CO², aumentou 6,3%, impulsionada pela expansão da energia eólica, solar e hidrelétrica. A energia eólica foi responsável por 36% do crescimento total da produção de energia renovável, seguida pela energia solar fotovoltaica (27%), hidrelétrica (22%) e bioenergia (12%). Mas apesar do crescimento exponencial na geração dessas energias, a hidrelétrica continua sendo a maior fonte de produção de eletricidade, com uma participação de 65% na produção de energia renovável. Embora as energias renováveis tenham crescido rapidamente em 2017, a redução da intensidade das emissões de carbono foi de menos de um terço do que seria necessário para alcançar as metas climáticas. Além disso, a participação de combustíveis fósseis na demanda energética global em 2017 permaneceu em 81%, um nível que se mantém estável por mais de três décadas. A questão ambiental, a redução dos custos, os menores riscos regulatórios e as novas tecnologias são fatores essenciais para impulsionar a expansão das fontes de energia renováveis. Um relatório divulgado em 2017 pelo International Renewable Energy Agency (IRENA), mostrou que projetos e leilões de tecnologias de geração de energias renováveis são mais baratos e deverão continuar com preços inferiores às tecnologias fósseis até 2020. Os dados mostram também que o custo de geração da energia eólica apresentou queda de 25% desde 2010, assim como o de energia solar fotovoltaica, com uma redução de 73%. Os investimentos das companhias de O&G em Energias Renováveis A indústria de energias renováveis tem sido cada vez mais atrativa e a tendência é que se torne um investimento a longo prazo, reduzindo a dependência do uso de combustíveis fósseis. Graças aos avanços tecnológicos, é possível perceber que as mudanças no setor estão acontecendo. Empresas petrolíferas também estão diversificando os investimentos na transição energética global. Essas empresas estão investindo em P&D de eficiência energética, na captura e no armazenamento de carbono e apostando na transição das energias renováveis. De olho no futuro do mercado mundial energético, em tempos onde muito se fala de economia de baixo carbono, em maio deste ano a norueguesa Statoil mudou o nome da empresa para Equinor, como uma estratégia de reposicionamento para uma ampla companhia de energia. A mudança também segue outras companhias de óleo e gás que retiraram a palavra petróleo do nome – caso das britânicas British Petroleum (hoje BP) e British Gas (BG, adquirida pela Shell) – para se consolidarem em atividades voltadas à área de energia. A empresa norueguesa há tempos investe em energias renováveis. No ano passado, por exemplo, a Scatec Solar ASA e a Statoil concordaram em estabelecer uma Joint Venture 50/50 para construir, possuir e operar plantas solares de grande escala no Brasil. A Joint Venture tem a ambição de se tornar um player significativo no mercado solar nacional. A Equinor se apresenta agora como uma empresa internacional de energia que investe nos setores de petróleo, gás, energia eólica e solar em mais de 30 países em todo o mundo. Outro exemplo é a Raízen, criada a partir da junção de parte dos negócios da Shell e da Cosan. Com o objetivo de oferecer hoje a energia do futuro, a empresa também aposta em alternativas energéticas de matrizes renováveis, com constante investimento em tecnologia, pesquisa e desenvolvimento. A Petrobras também não está fora deste movimento. O Plano de Negócios 2018-2022 já previa que a Petrobras voltaria a atuar em fontes renováveis, uma vez que a economia mundial está orientada cada vez mais para o baixo carbono, juntamente com o grande potencial do Brasil para desenvolvimento de energias eólica e solar Depois de quatro anos, onde priorizou investimentos na exploração e produção de petróleo visando a redução de seu endividamento, a Petrobras decidiu retomar investimentos em energia renováveis. Em julho deste ano, a estatal anunciou ter assinado um memorando de entendimentos com a empresa francesa Total com o objetivo de desenvolver projetos em conjunto nos setores de energia solar e eólica no Brasil. Atualmente, a Petrobras tem participações em quatro projetos de energia eólica no Nordeste, com um total de 104 megawatts (MW) de capacidade. A empresa aproveita o grande potencial que existe no Brasil para essa energia, que hoje representa apenas 8% da matriz energética, mas que deverá atingir 20% em 2019. As energias renováveis na matriz brasileira O Brasil, porém, ainda se encontra muito atrás na utilização de fontes alternativas de energia em comparação à Alemanha, China e Estados Unidos. No tratado em Paris, o país se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% até 2030, em comparação aos níveis de 2005. No setor de energia, o Brasil estabeleceu três metas: ter 45% de participação das energias renováveis na matriz energética, aumentar a participação de bioenergia para 18% e expandir de 28% para 33% a participação de fontes renováveis na

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