O distanciamento social, a higienização, o trabalho remoto e o fechamento do comércio em razão da pandemia da Covid-19 vêm transformando a vida de bilhões de pessoas. Essas ações de controle realizadas por governos do mundo inteiro têm ocasionado diversas mudanças nos hábitos globais da população, e contribuído para o crescimento do e-commerce nos últimos meses. E não só as medidas de proteção realizadas pelo governo têm crescido, como também tem ocorrido uma progressão no nível de consciência da população sobre a pandemia. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos com 10.000 respondentes, notou-se uma grande evolução do nível preocupação da população quanto ao Coronavírus, principalmente em países europeus e nos Estados Unidos. Então, diante dessa maior conscientização das pessoas de que não se deve sair de casa, o consumo on-line começou a tornar-se um hábito mais relevante mundo afora: 61% das pessoas compraram a mais na China, 26% na Alemanha, 34% no Reino Unido, e 43% nos Estados Unidos. Nesse sentido, surgem perguntas ainda sem respostas: Haverá algum legado positivo para o e-commerce? No Brasil, a curva de digitalização poderá de fato ser acelerada? Quais empresas serão fortalecidas ou prejudicadas? Isolamento social gera impacto no varejo físico e online O setor varejista tem percebido que parte dessas mudanças no comportamento do consumidor permanecerão a médio prazo. O varejo físico, por exemplo, já vem notando as consequências negativas da pandemia. De acordo com estudo de impacto do Covid-19 no varejo europeu realizado pela Zencargo e publicado pela NY times, entre os dias 9 de Março e 21 de Abril de 2020, a estimativa de perda foi de cerca de 3,3 bilhões de libras, sendo os principais mercados afetados: Alemanha (£ 728 milhões), França (£ 728 milhões) e Reino Unido (£ 728 milhões). Nessa direção, um levantamento da Nielsen apontou como a pandemia deve interferir nos hábitos dos consumidores de acordo com as diferentes fases da contaminação. De acordo com o estudo, um desses comportamentos é a migração da compra offline para online durante o período de distanciamento social. Consequentemente, as receitas online têm crescido exponencialmente em mercados maduros não só da Europa e da América do Norte, como também no resto do mundo. A expectativa é que haja um aumento do consumo do varejo online em diversos países, comparado ao ano de 2019, segundo dados da plataforma Covid-19 e-commerce insight, criada pela Emarsys com a GoodData. E esse efeito pode crescer ainda mais nos próximos meses globalmente. De acordo com uma pesquisa do Instituto Ipsos realizada com 10.000 respondentes, foi possível notar que, principalmente na Itália, devido à proporção do impacto e ao período de impacto da pandemia, houve um aumento considerável na frequência de compra de alimentos online. Em outros países, provavelmente devido ao período de quarentena imposto por cada governo, esse efeito ainda não foi notado. Entretanto, nessa mesma pesquisa, nota-se que há uma expectativa de migração para o consumo on-line também nos demais países, além da China e da Itália. Em relação a esse crescimento do consumo via internet, o varejo alimentício é o segmento que mais tem obtido evolução do tráfego em conversão (aumento em 189% no tráfego e 80% em transações em relação à março, comparado aos meses anteriores), seguido pelos setores de mídia, tecnologia de varejo, telecomunicações, banco/seguro, cosméticos, entre outros, segundo o estudo The COVID-19 eCommerce Impact Hub, da Content Square, com 1.400 sites. Outros segmentos como eletrônicos, móveis e esportes, apesar de não apresentarem evolução de tráfego, estão evoluindo as transações com a base de consumidores recorrente. Lições aprendidas nas operações de e-commerce chinês Entretanto, apesar da aceleração dessa migração, as empresas com operação online precisarão suprir os desafios operacionais de forma ágil. Um exemplo foi como o mercado chinês reagiu. De acordo com a pesquisa da Dentsu Aegis Network, a principal ação dos profissionais de marketing chineses foi a migração dos investimentos dos canais offline para o online (14% reduziram o off-line e 10% aumentaram investimentos no on-line), seguido por adaptação dos criativos (11%) e dos mercados-alvo (11%). Clique na imagem abaixo para visualizá-la em tamanho maior: Em relação à logística de entrega, 80% dos pedidos da plataforma Meituan Dianping feitos entre 26 de Janeiro e 8 de Fevereiro solicitaram um serviço de entrega contactless. No epicentro do vírus, em Wuhan, esses pedidos chegaram a 95,1%. A Meituan tem mais de 5,9 milhões de varejistas operando em suas plataformas digitais e 700 mil entregas diárias. Entre todas entregas, 10% delas foram realizadas em cidades diferentes dos endereços de entrega, ou seja, realizados à uma longa distância para outros amigos ou familiares. Os principais itens solicitados foram máscaras, esterilizantes, vegetais, carne e frutas, respectivamente.’ O fato é que a excelência no nível de operação dos chineses permitiu abastecer a população com frutas, vegetais e carnes frescas durante a Covid-19. Vendas online em redes de supermercados cresceram surpreendentemente durante o período da quarentena. A rede JD.com, por exemplo, teve um aumento de vendas de 215%, atingindo 15.000 toneladas durante um período de 10 dias entre Janeiro e Fevereiro desse ano. As entregas de vegetais da operação online do Carrefour também aumentaram em 600%. Logo, o que a China mostra para o mundo diante da pandemia é que, apesar de ser um mercado maduro em termos de digitalização, ainda há espaço suficiente para a migração dos canais off para o online, e as empresas entendem e sabem a importância de aumentar os investimentos no desenvolvimento de canais digitais. Além disso, as organizações chinesas estão constantemente preparadas para serem ágeis no momento que precisarem responder aos desafios operacionais. Movimento do e-commerce no mercado brasileiro durante o Coronavírus No Brasil, a chegada da pandemia trouxe maior pessimismo ao trabalhador brasileiro. Segundo pesquisa do Datafolha, dos brasileiros que recebem até dois salários mínimos, 61% acreditam que sua renda mensal irá diminuir durante o período. Já para os trabalhadores que recebem mais de dez salários mínimos, esta expectativa cai para 49%. Porém, ainda é um número relevante. Mas assim como na China e no resto do