O Hannover Messe é um dos principais eventos globais voltados à tecnologia para a indústria. Realizado anualmente na Alemanha, o encontro reúne empresas, governos, fornecedores de tecnologia e lideranças industriais para discutir os avanços que vêm transformando setores como manufatura, energia, logística, mobilidade e mineração.
Mais do que uma feira de inovação, o Hannover funciona como um termômetro importante sobre o nível de maturidade da indústria em temas como automação, inteligência artificial, eficiência operacional e transição energética.
Neste ano, a BIP participou do evento a convite da Vale, dentro do estande da companhia, levando casos desenvolvidos pela frente de Advanced Analytics, ligados principalmente a mineração, ferrovia, logística e inteligência operacional.
Além disso, Marcelo Pagoti, diretor de Manufacturing, Agro e Life Sciences, também esteve presente no evento, a convite da Bayer, acompanhando agendas e discussões relacionadas ao setor industrial.
Os convites também reforçaram a relevância da parceria construída entre as empresas. Estar em um dos espaços de maior visibilidade do evento, levando soluções aplicadas a desafios reais de operação, evidenciou o papel da BIP não apenas como fornecedora de tecnologia, mas como parceira estratégica na construção de soluções de impacto para a indústria.
Ao longo deste artigo, compartilhamos algumas das principais leituras que trouxemos do Hannover Messe. Mais do que resumir tendências, o objetivo é discutir o que já começa a ganhar escala dentro da indústria e quais temas ainda parecem ter bastante espaço para amadurecimento nos próximos anos.
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Ao longo dos dias no Hannover, ficou claro que a discussão sobre transformação industrial entrou em uma nova fase.
A digitalização da operação já não aparece mais como novidade. Em muitos casos, ela já faz parte da infraestrutura básica das empresas presentes no evento. O mesmo vale para IA, analytics e automação, que deixaram de ocupar espaços isolados e passaram a aparecer de forma distribuída ao longo de praticamente toda a feira.
Mas, ao mesmo tempo, algumas diferenças de maturidade começaram a aparecer com mais clareza nas conversas, demonstrações e casos apresentados ao longo do evento.
Foi justamente nesse ponto que começaram a surgir algumas das principais leituras que trouxemos do Hannover neste ano.
Uma das percepções mais imediatas do evento foi a consolidação da IA dentro da operação industrial.
Praticamente todos os estandes traziam algum tipo de aplicação relacionada a analytics, automação, copilots, agentes inteligentes ou monitoramento operacional…
Ao percorrer os pavilhões do Hannover, a sensação era de que a indústria atravessou uma fronteira importante. A inteligência artificial deixou de aparecer como uma promessa futura e passou a ocupar um papel muito mais estrutural, quase como uma nova camada de infraestrutura da operação industrial. Ainda havia demonstrações mais analógicas, voltadas a componentes, máquinas e nichos específicos, mas a presença de IA como base para monitoramento, automação, analytics e tomada de decisão foi dominante ao longo da feira.
Ao mesmo tempo, um ponto nos chamou atenção ao longo das conversas e demonstrações realizadas durante a feira: grande parte dessas aplicações ainda está concentrada em tarefas muito específicas da operação.
O evento teve uma presença muito forte de empresas ligadas a:
- hardware industrial
- sensores
- automação operacional
- componentes físicos
- robótica
Isso faz parte da própria característica histórica do Hannover, que sempre teve uma relação muito forte com manufatura pesada e automação industrial. Mas o contraste ficou evidente quando começamos a apresentar os casos que levamos ao evento.
Os projetos apresentados pela BIP estavam menos relacionados à automação isolada e mais ligados à coordenação operacional em ambientes complexos.
Esse ponto foi particularmente relevante porque muitos dos exemplos vistos na feira ainda estavam concentrados em ganhos pontuais de eficiência: uma máquina mais precisa, um componente mais inteligente, um processo específico mais automatizado. A diferença dos casos levados pela BIP estava na visão sistêmica.
Em vez de mostrar apenas como melhorar o desempenho de um ativo isolado, a discussão avançava para como fazer operações inteiras funcionarem melhor, conectando dados, restrições operacionais, modelos analíticos e decisões em tempo real.
Em vários momentos, as conversas deixavam de girar apenas em torno de IA e passavam para discussões muito mais ligadas a:
- otimização logística
- planejamento dinâmico
- balanceamento operacional
- integração entre sistemas
- apoio à decisão em tempo real
Foi nesse contexto que os projetos apresentados pela BIP ganharam tração nas conversas. Eles ajudavam a tangibilizar um ponto cada vez mais relevante para a indústria: o maior ganho não está apenas na troca de componentes físicos, mas na camada de inteligência capaz de orquestrar ativos, sistemas e decisões em escala.
Entre eles, estavam soluções voltadas à inteligência operacional aplicada à circulação ferroviária, otimização logística em tempo real e coordenação integrada de ativos industriais. Em um dos nossos projetos apresentados, os modelos desenvolvidos permitiram reduzir em até 9,6% o consumo de combustível a partir da reorganização dinâmica da operação ferroviária. Em outro caso, os ganhos estavam ligados ao aumento de capacidade operacional e melhor utilização de ativos logísticos em larga escala.
Mais do que automatizar tarefas específicas, os projetos discutidos no Hannover trabalhavam com múltiplas variáveis operacionais simultaneamente, combinando analytics, otimização e apoio à decisão em tempo real. Confira os cases na íntegra:
- Como a BIP aplicou otimização avançada para transformar a eficiência de uma das maiores operações ferroviárias do mundo
- IA Generativa transformou a gestão do conhecimento e a tomada de decisão no shipping
- Da Gestão à Cabine: inteligência operacional como alavanca para aumento de eficiência em operações de mineração
Ao longo do evento, percebemos também que existe hoje uma oferta bastante madura de tecnologias voltadas à captura de dados e automação operacional. Mas, quando a discussão avançava para coordenação operacional em escala e tomada de decisão complexa, o número de aplicações mais maduras parecia diminuir bastante.
Isso ficou evidente inclusive nas conversas realizadas com empresas de automação e parceiros tecnológicos presentes na feira. Em diferentes momentos surgiram discussões sobre como conectar a camada física da operação com modelos mais avançados de analytics, otimização e inteligência aplicada.
A discussão sobre sustentabilidade também apareceu de forma muito presente ao longo do evento, especialmente dentro do espaço liderado pela Vale.
Nesse caso, chamou atenção como eficiência operacional, redução de emissões e transição energética apareciam cada vez mais conectadas. Em vários dos projetos discutidos durante a feira, os ganhos ambientais surgiam como consequência direta de operações mais eficientes, especialmente em temas ligados à redução de consumo de combustível, otimização logística e melhor utilização de ativos operacionais.
Percebemos que em um cenário de transição energética global, eficiência energética deixou de ser apenas uma métrica de custo. Ela passou a ocupar um papel central na agenda de sustentabilidade competitiva das empresas industriais. No Hannover, isso ficou claro nas conversas em que redução de consumo, melhor uso de ativos e otimização logística apareciam como caminhos concretos para reduzir emissões sem perder desempenho operacional.
Outro aspecto que o Hannover reforçou foi o avanço de um modelo cada vez mais integrado entre empresas, tecnologias e especialidades.
Ao longo da feira, tivemos contato com fornecedores de hardware, empresas de automação e parceiros interessados em combinar suas soluções com capacidades mais avançadas de analytics e otimização. Em muitos casos, a percepção era de que a indústria já avançou bastante na digitalização da operação, mas ainda existe espaço para amadurecimento quando o assunto é coordenação operacional em tempo real e integração entre dados, sistemas e tomada de decisão.
Talvez essa tenha sido uma das leituras mais relevantes que trouxemos do Hannover. A indústria vem acelerando rapidamente sua capacidade de coletar dados, automatizar tarefas e digitalizar operações.
O próximo passo parece estar menos ligado à adoção isolada de novas tecnologias e mais relacionado à capacidade de coordenar operações complexas de forma integrada, dinâmica e em tempo real.








