Categoria: Telco & Media

Blockchain

Como o Blockchain pode beneficiar as operadoras de Telecom

Diante de um mercado altamente competitivo com players cada vez mais digitais, as empresas de Telecomunicação estão sendo muito pressionadas a reduzir custos, simplificar os processos de negócios e encontrar novas fontes de receita. Neste cenário, você não pensaria em blockchain como primeira opção, porém esta tecnologia pode ter um importante papel em criar valor para as operadoras. Mas como o blockchain se diferencia de outras tecnologias existentes? Basicamente, ela permite manter o histórico de transações em redes distribuídas de servidores. Se alguém tentar adulterar, duplicar ou alterar qualquer parte do registro, todas as partes interessadas terão conhecimento. Além disto, o Blockchain grava todas as alterações no registro de dados e permite reconstruir facilmente o histórico. Com isto, garante segurança, rastreabilidade e transparência aos dados das transações. Ao meu ver, uma das principais aplicações do blockchain, além das famosas criptomoedas, são os Smart Contracts. Ao invés de um pedaço de papel, os “Contratos Inteligente” são escritos em códigos, onde são definidas as regras e as consequências previstas no contrato. O Smart Contract verifica e reforça a negociação/aplicação de um contrato, e se faz cumprir por si só, após a transação ser concluída. Ou seja, funciona como uma função “auto-executável”, automática. Essa função possibilita transações entre pessoas desconhecidas de um modo mais confiável e sem a necessidade de um intermediário. A ausência desse terceiro influi diretamente no custo da transação, o que possibilita menor preço para o cliente, além de aumentar a liberdade para que os negócios sejam geridos de acordo com a preferência dos envolvidos no processo.  Como o Blockchain está sendo aplicado nas empresas de Telecom Como em todas as indústrias, as operadoras de Telecom também têm forte interesse em utilizar a tecnologia Blockchain. E, entre os casos de uso que estão sendo experimentados, destaco alguns: Pagamentos via celular Em 2017, foi criado o Carrier Blockchain Study Group (CBSG) como consórcio entre operadoras do mundo inteiro com o objetivo de estudar casos de aplicação do blockchain na indústria de Telecom. Incialmente criado pelas operadoras Sprint (EUA) e Softbank (Japão), o consórcio ganhou adesão e, em julho de 2018, já contava com 12 membros: Xiata, PLDT, Telin, Turkcell, Viettel, Zain. They join Etisalat, Far EasTone, KT, LG Uplus, SoftBank and Sprint. Entre os casos de uso que estão sendo estudados, vale citar a criação de uma plataforma que permite pagamentos via celular entre operadoras. Por exemplo, as operadoras Sprint e Softbank, em conjunto com a startup TBCASoft, permitem que clientes do Softbank no Japão viajem para as EUA e paguem em dólares usando o celular. Reconciliação entre operadoras de roaming internacional O processo de roaming internacional gera uma quantidade enorme de dados. As operadoras trocam informações de ligações ou tráfego de internet em roaming assim que os clientes recebem o valor da fatura. E, caso qualquer informação esteja faltante ou errada, inicia-se um processo demorado e complicado de reconstrução da transação. No primeiro semestre do 2018, as operadoras Colt (UK), BT (UK), HGC Global Communication (Hong Kong), Telefonica (Espanha) e Telstra (Austrália) comunicaram ao mercado que estão testando o uso do blockchain para os pagamentos do roaming internacional entre as operadoras. As transações dos clientes em roaming em tempo real são gerenciadas por uma plataforma baseada em blockchain que verifica as informações e executa o quanto foi definido entre as operadoras com base em Smart Contract.  Em 2018, uma plataforma parecida já foi lançada também pela operadora Sul Coreana KT e está sendo testada juntamente com os gigantes China Mobile (China) e NTT DoCoMo (Japão). Marketplace para roaming internacional Indicada pela Forbes em dezembro de 2018 como startup “destruidora” no mundo das telecomunicações, a Bubble Tone criou o primeiro marketplace no mundo baseado em blockchain que conecta clientes e operadoras. A empresa permite que os clientes estrangeiros possam fazer ligações e navegar localmente sem trocar o SIM, contratando pacotes oferecidos por operadora local via marketplace e pagando diretamente na fatura da própria operadora. A operadora contratada pelo cliente recebe automaticamente os valores da operadora do cliente através Smart Contract. Mas por que o Blockchain ainda não é muito utilizado? Como todas as tecnologias, o blockchain também está passando por uma fase de amadurecimento, que é fundamental para que seja adotada em larga escala. Se lembrarmos no caso da Internet, por exemplo, esta demorou mais de 10 anos para ser amplamente utilizada. Além disto, existem ainda alguns problemas de segurança que precisam serem resolvidos para proteger as informações de hackers e garantir a segurança que as empresas estão buscando. Mas, como procurei demonstrar, as empresas já estão experimentando diversos casos de uso do blockchain e nos próximos anos certamente assistiremos a uma forte aceleração de aplicação. Com todas estas evidências, o importante é que as operadoras de Telecom não fiquem de fora e aproveitem esta tecnologia e todas as suas possibilidades.

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A reinvenção das empresas de Telecom na era digital

O setor de telecom está passando por um momento de grandes transformações. Embora muitas operadoras tenham se transformado em provedores de serviços digitais para lidar com as novas demandas, o setor continua vulnerável às rápidas mudanças dos ciclos tecnológicos, às ações de concorrentes e às novas necessidades dos clientes. Nos últimos 20 anos, a maioria das redes foi projetada com o objetivo de atender à crescente demanda por mobilidade. Mas agora a necessidade a ser atendida é a crescente demanda de disponibilidade de banda para o acesso à internet em mobilidade. As explosões de aplicativos e jogos de realidade aumentada, streaming de vídeo ao vivo e questões relacionadas a violações de segurança são os atuais desafios. As empresas agora estão caminhando na construção de redes autônomas sob demanda para conectar o ecossistema digital em torno dos seres humanos, monetizando a digitalização das interações humanas com as máquinas (IoT). Na jornada de transformação do setor de Telecom, a virtualização é a chave para impulsionar a eficiência operacional, a agilidade e a inovação de serviços. A necessidade de superar a saturação nos sistemas legados deve ser apoiada por investimentos em arquiteturas digitais ágeis, centradas na nuvem e baseadas em software – Software Defined Networks (SDN) e Network Functions Virtualisation (NFV).  Desafios e Oportunidades para as Operadoras À medida que a economia global se torna digital, as empresas de Telecom enfrentam novos desafios e oportunidades. Por um lado, a indústria está sendo pressionada pelo aumento da oferta dos serviços de comunicação digital de terceiros, que ignoram as tradicionais operadoras e ganham grande popularidade com os subscritores. As fronteiras competitivas estão mudando à medida que as principais empresas do setor continuam encolhendo, em parte sob pressões regulatórias, mas também porque a mídia social está abrindo novos canais de comunicação. Entre as empresas de telecomunicações dos EUA, por exemplo, a voz fixa e móvel representava em 2017 menos de um terço do acesso total, ante 55% em 2010, enquanto a receita proveniente de dados/receita total passou de 25% em 2010 para 65% em 2017. Por outro lado, a digitalização não é apenas uma ameaça, mas oferece às empresas de Telecom uma oportunidade de reconstruir suas posições de mercado, reinventar seus modelos de negócios e criar ofertas inovadoras para os clientes. Não é surpresa que a maioria dos executivos do setor considera a digitalização uma das suas principais prioridades, mas poucas empresas estão perto de captar todo o seu potencial. Em uma pesquisa realizada com líderes globais, pela EY em 2017, algumas principais constatações foram levantadas em relação a este movimento de digitalização: A competição disruptiva está no topo da lista de desafios do setor. Modelos de negócios digitais, experiência do cliente e controle de custos lideram a agenda estratégica de 2020. A rede domina a agenda de gastos de curto prazo, mas uma série de melhorias de TI também está sendo buscada. O Capex de rede está em alta, mas os perfis de gastos de TI variam. A confiança está aumentando em relação a novas oportunidade de serviços digitais, mas ainda existem muitas dúvidas a respeito A análise e a virtualização são os principais impulsionadores da inovação, mas a TI legada e a falta de habilidades estão atuando como freios. A automação de processos lidera a lista de capacitadores de TI de longo prazo. A tecnologia 5G irá redefinir o setor após 2020 Um recorte por geografia mostra que as visões das operadoras diferem de acordo com a maturidade do mercado, com suas perspectivas sobre as prioridades da indústria, barreiras de transformação e a próxima onda de tecnologias de acesso à rede variando significativamente entre diferentes regiões. As operadoras nos mercados desenvolvidos estão mais preocupadas com as melhorias na experiência do cliente, devido principalmente à concorrência disruptiva. Como serão as empresas de telecomunicações no futuro? As empresas de Telecom já estão migrando dos tradicionais serviços de conectividade por voz, dados e linhas fixas para serviços digitais como os Cloud Services (SaaS, PaaS, IaaS,  Cloud management & security) e a tendência é tornarem-se players multisserviços, oferecendo uma variedade de serviços de consultoria, tecnologia, digital e gestão, ao mesmo tempo que irão criar soluções novas e inovadoras. Serviços para cidadania (eleições eletrônicas, documentos digitais), saúde (cirurgias remotas), segurança pública (inteligência para as forças policiais), além da agricultura e pecuária (internet das coisas no campo), já começam a ser a realidade. Serviços 5G já estão sendo experimentados pelos operadores nas indústrias manufatureiras para controle das máquinas industriais, na telemedicina, nas Smart Cities, no controle remoto de veículos, nos sistemas logísticos avançados para os portos. Em pouco tempo, não serão apenas as pessoas que estarão conectadas pela internet, mas também as roupas, os carros, os computadores, a água, os edifícios. Tudo estará emitindo informações. Será o mundo da inteligência artificial e cognitiva. O futuro das telecomunicações será um hub de conectividade abrangente e inteligente para alimentar milhões de dispositivos e máquinas hiperconectadas, e capaz de incorporar novos dispositivos e oferecer novos serviços sob demanda. Com a atual complexidade das redes de telecomunicações baseadas nos sistemas legados B/OSS, esta transformação é um desafio. A infraestrutura de telecomunicações existente é hard-wired e requer uma integração extensiva de vários domínios para atender às demandas de operações inteligentes. Esta infraestrutura terá que ser transformada para garantir a conectividade aos bilhões de dispositivos (IoT), tornar-se virtualizada e autocondicionada, para ser capaz de simplificar as operações por meio de automação, orquestração de serviços e plataformas e dispositivos. A transformação aumentará a capacidade analítica massiva para entender padrões, sequenciamento de tempo de eventos, tendências de mercado e comportamento do consumidor através da Inteligência Artificial (AI) com profundas técnicas neurais de Machine Learning. Três principais estratégias que as empresas devem adotar Com o novo cenário digital, as empresas de telecom não têm outra escolha senão mudar fundamentalmente seus modelos operacionais e de negócios. O setor precisa se estruturar para obter o retorno financeiro do alto capital empregado e adotar estratégias de transformação digital que simplifiquem suas operações, melhorem a experiência do cliente e gerem novas oportunidades

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