AUTORIA

Pedro Godoy

TRADUÇÃO

GERENTE RESPONSÁVEL

Pedro Godoy

DIRETOR RESPONSÁVEL

Luigi Iervolino

REVISÃO

Isabella Marques

Banking as a Service (BaaS) emergiu como um pilar fundamental na transformação digital do setor financeiro brasileiro, democratizando o acesso a serviços bancários e impulsionando a inovação. No entanto, a rápida expansão desse modelo, caracterizada pela integração de serviços financeiros em plataformas não-financeiras, operou até então em um ambiente regulatório incipiente. A ausência de um arcabouço claro gerou um cenário de incertezas jurídicas e operacionais, culminando em fragilidades que expuseram tanto as instituições quanto os consumidores a riscos significativos. 

A Resolução Conjunta nº 16/2025 do Banco Central do Brasil (BCB) representa um passo decisivo para estruturar o modelo de Banking as a Service (BaaS) no país. Longe de ser uma barreira à inovação, esta iniciativa visa solidificar as bases para um crescimento sustentável e seguro do BaaS, alinhando o Brasil às melhores práticas internacionais de supervisão financeira. Para executivos e líderes de mercado, compreender a gênese e os objetivos dessa regulamentação é crucial: trata-se de um movimento estratégico para mitigar riscos sistêmicos, proteger o consumidor e, simultaneamente, fomentar um ambiente de maior segurança jurídica que pode, paradoxalmente, catalisar novas oportunidades de negócio e parcerias mais transparentes e resilientes.

Impactos Práticos para o Mercado de BaaS cado: O Que Muda no P&L das Empresas 

A nova regulamentação do BaaS transcende a esfera da conformidade e impacta diretamente a linha de resultados (P&L) das empresas, tanto prestadoras quanto tomadoras de serviços. A redefinição das regras do jogo exige uma reavaliação estratégica dos modelos de negócio, com implicações financeiras que não podem ser ignoradas. 

Para as empresas tomadoras (varejistas, marketplaces, de telecomunicações etc.), a principal mudança reside na necessidade de internalizar custos antes terceirizados. A exigência de maior colaboração em processos de KYC (Know Your Customer), prevenção a fraudes e PLD-FT (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo) se traduz em investimentos em tecnologia, pessoal especializado e processos internos mais robustos.  

A vedação de “contas-bolsão” e a obrigatoriedade de contas individualizadas, embora aumentem a segurança, podem gerar custos operacionais adicionais e impactar a agilidade das operações. Além disso, a restrição de contratar múltiplas prestadoras de BaaS simultaneamente para alguns serviços pode limitar o poder de barganha e a flexibilidade das tomadoras, potencialmente levando a um aumento dos custos dos serviços. 

Para as instituições prestadoras (bancos, instituições de pagamento, fintechs reguladas), a nova regulamentação concentra a responsabilidade final pela conformidade, o que implica em um aumento dos custos de supervisão e monitoramento dos parceiros. A necessidade de indicar um diretor responsável e de garantir um atendimento transparente ao cliente final, mesmo em modelos “white-label“, pode exigir a reestruturação de equipes e processos. A contrapartida é a oportunidade de se posicionar como um parceiro estratégico de alto valor agregado, capaz de oferecer segurança e conformidade em um mercado cada vez mais exigente. A padronização dos contratos e a maior clareza regulatória podem, a longo prazo, reduzir os custos de litígio e de renegociação contratual. 

Em suma, a nova regulamentação do BaaS representa um realinhamento dos custos e benefícios do modelo. As empresas que se adaptarem mais rapidamente, investindo em governança e tecnologia, estarão mais bem posicionadas para capturar as oportunidades de um mercado mais maduro e seguro, enquanto aquelas que subestimarem os impactos financeiros da nova regulação correm o risco de perder competitividade e de enfrentar sanções que podem comprometer sua sustentabilidade. 

Principais Implicações Regulatórias do BaaS: Exclusividade, Responsabilidade e Contratos 

A Resolução Conjunta nº 16/2025 do Banco Central introduz diretrizes relevantes para a organização do modelo de Banking as a Service (BaaS) no país. Embora voltadas à segurança e à estabilidade do sistema, essas mudanças também geram trade-offs estratégicos que merecem atenção.  As implicações mais críticas residem na exclusividade, na atribuição de responsabilidades e na padronização dos contratos. 

  • Exclusividade: Limitação da Competição vs. Aumento da Accountability 

A proposta de vedar que uma tomadora contrate múltiplas prestadoras de BaaS simultaneamente para serviços de contas e pagamentos gerou forte oposição no mercado. A lógica regulatória por trás dessa medida é clara: ao concentrar a relação em uma única prestadora, o Banco Central busca aumentar a accountability e facilitar a supervisão. Em um cenário de múltiplos provedores, a rastreabilidade de operações e a definição de responsabilidades em caso de falhas se tornam exponencialmente mais complexas. No entanto, essa exclusividade pode limitar a competição entre as prestadoras, potencialmente resultando em menor flexibilidade para as tomadoras, menor inovação e, em última instância, custos mais elevados. Para as tomadoras, a escolha da prestadora torna-se uma decisão estratégica de longo prazo, exigindo um due diligence ainda mais rigoroso. 

  • Papel das Prestadoras: Concentração de Riscos vs. Elevação da Barreira de Entrada 

A regulamentação reforça a responsabilidade final da instituição prestadora por toda a cadeia de serviços BaaS, mesmo quando a interação com o cliente final é feita pela tomadora. Isso significa que a prestadora deve manter uma estrutura compatível com os riscos assumidos, incluindo a indicação de um diretor responsável e a garantia de atendimento transparente ao cliente. Essa concentração de responsabilidades, embora fortaleça a segurança do sistema e a proteção ao consumidor, pode elevar significativamente a barreira de entrada para novas prestadoras, especialmente as de menor porte. Para as prestadoras existentes, isso implica em investimentos substanciais em governança, tecnologia e processos de monitoramento de parceiros. 

trade-off aqui é de um sistema mais seguro e robusto em detrimento de um ambiente mais dinâmico e competitivo. 

  • Contratos de Parceria: Padronização para Segurança Jurídica 

A exigência de contratos de parceria com conteúdo mínimo obrigatório é um avanço significativo para a segurança jurídica do modelo BaaS. A padronização de cláusulas sobre responsabilidades, atendimento ao cliente, governança e cessão de operações reduz a assimetria informacional e a ambiguidade que caracterizavam o cenário anterior. Isso mitiga riscos de litígios e facilita a supervisão regulatória. No entanto, a rigidez excessiva na padronização pode, em alguns casos, engessar a inovação e a flexibilidade necessárias para adaptar o modelo a diferentes nichos de mercado e necessidades específicas de negócio. O desafio para as empresas será adaptar seus modelos operacionais e comerciais a esses novos requisitos contratuais, garantindo conformidade sem perder a agilidade e a capacidade de diferenciação. 

Desafios e Oportunidades Estratégicas no Novo Cenário de BaaS  

A nova regulamentação do BaaS não apenas impõe desafios de conformidade, mas também atua como um impulsionador para a redefinição de estratégias de negócio e para a criação de novas dinâmicas competitivas no mercado.  A discussão deve ser elevada de um nível operacional para um patamar estratégico, abordando como as empresas podem transformar exigências regulatórias em vantagens competitivas. 

  • Redesenho de Ecossistemas: Marketplaces, Telecomunicações e Varejo 

Setores como varejo, e-commerce, telecomunicações e marketplaces, que já utilizam o BaaS para integrar serviços financeiros em suas ofertas, enfrentarão a necessidade de redesenhar seus ecossistemas. A maior responsabilidade das prestadoras e a necessidade de individualização das contas implicarão uma revisão das parcerias e da arquitetura tecnológica. Isso pode levar à consolidação de provedores de BaaS mais robustos e confiáveis, e à busca por soluções que permitam a escalabilidade e a conformidade simultaneamente. A oportunidade reside em aprofundar a integração dos serviços financeiros, transformando-os de meros complementos em elementos centrais da proposta de valor, gerando maior fidelização e monetização. 

  • Pressão sobre Margens e Monetização via Cross-Selling 

Os custos de compliance e a necessidade de investimentos em tecnologia e governança exercerão pressão sobre as margens de lucro, tanto para prestadoras quanto para tomadoras. Nesse cenário, a monetização via cross-selling e a otimização da experiência do cliente se tornam imperativas. As empresas precisarão criar diferenciais na oferta de produtos e serviços financeiros, buscando sinergias com seus negócios principais. Por exemplo, um varejista pode oferecer crédito no ponto de venda, ou uma empresa de telecomunicações pode integrar serviços de pagamento e seguros em seus planos. A capacidade de analisar dados de forma assertiva para identificar oportunidades de cross-selling e personalizar ofertas será um diferencial competitivo crucial. 

Próximos Passos: Sua Jornada Rumo à Conformidade e Inovação 

A nova regulamentação do BaaS redefine parâmetros operacionais e eleva o nível de exigência para as instituições que atuam nesse modelo. O momento exige avaliação estruturada de impactos, revisão de contratos, ajustes de governança e adequação da arquitetura tecnológica. 

Com a norma publicada, a agenda passa a ser de implementação até 31/12/2026. É fundamental organizar prioridades, dimensionar esforços e estabelecer um plano de adequação consistente com os prazos regulatórios e com a estratégia da instituição. 

Como a BIP Apoia a Adequação à Nova Regulação de BaaS 

A nova regulamentação do Banking as a Service (BaaS) impõe desafios relevantes para instituições financeiras, fintechs e empresas que integram serviços financeiros às suas plataformas. Nesse contexto, a BIP Brasil apoia organizações na avaliação dos impactos regulatórios, operacionais e tecnológicos envolvidos, estruturando caminhos claros para a adequação ao novo cenário.Nossa atuação envolve a análise do modelo proposto e o detalhamento dos impactos regulatórios, operacionais e tecnológicos associados. Conectamos a avaliação de viabilidade, o mapeamento das exigências normativas, tecnológicas, e a organização da governança do projeto, permitindo que a instituição tenha clareza sobre custos, ajustes necessários e processos. 

As frentes a seguir apresentam como estruturamos esse trabalho, conectando as definições estratégicas às exigências regulatórias: 

  1. Análise de Viabilidade 

Conduzimos o levantamento de custos e das oportunidades relacionadas à estruturação das operações e à adoção de BaaS, avaliando cenários para definição do modelo mais adequado e das macro soluções envolvidas. A partir dessa avaliação, elaboramos o Business Plan com o detalhamento operacional necessário, e o relatório de custos, consolidando os custos, oportunidades das operações e análise de viabilidade. 

  1. Avaliação de Impactos Regulatórios 

Analisamos a situação atual da instituição frente aos requisitos normativos para identificar pontos de não conformidade e definir as ações necessárias para seu endereçamento. A partir desse cenário, estruturamos um plano de mitigação com visão detalhada de responsáveis, prazos, interdependências e necessidades. Como consolidação desse trabalho, entregamos um Plano de Adequação que incorpora as análises realizadas, organizando as frentes priorizadas e estabelecendo controles para acompanhamento. 

  1. Avaliação de Impactos Sistêmicos 

Avaliamos a arquitetura tecnológica atual para verificar o nível de aderência às exigências regulatórias e às necessidades do projeto. Com base nesse diagnóstico, apoiamos a decisão entre desenvolvimento interno ou contratação de soluções de mercado, considerando impactos operacionais e de integração.  Elaboramos o roadmap de evolução da arquitetura e formalizamos a definição da solução alvo, acompanhada do relatório técnico com os direcionamentos necessários para viabilizar o atendimento regulatório e a implementação das adequações. 

  1. PMO 

 Definimos um modelo de governança para coordenar as iniciativas do projeto, apoiando o detalhamento de requisitos e as evoluções sistêmicas necessárias. Aplicamos práticas de PMO voltadas ao planejamento, acompanhamento e comunicação do progresso durante a adequação regulatória. Como resultado, entregamos materiais periódicos de status e Plano de Comunicação para garantir alinhamento entre as áreas envolvidas. 

Nossa abordagem visa não apenas garantir a conformidade, mas também a otimização de processos e a criação de valor a longo prazo para nossos clientes. 

Entre em contato com nossos especialistas. 

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